A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 28/10/2019

No ano de 2015, o Acordo de Paris, assinado pelo Brasil, compromissou os países participantes a diminuírem a emissão dos gases de efeito estufa em 37% até 2025. Todavia, a expressiva contingência de veículos na malha rodoviária brasileira distancia cada vez mais o país de cumprir sua parte acordada. Desse modo, é preciso uma análise sobre como a herança histórico-cultural e o descaso governamental atestam a conservação da crise da mobilidade urbana em vigência na atualidade.

A princípio, o legado cultural brasileiro no que concerne ao apreço automobilístico configura-se como um entrave na resolução da temática em questão. Acerca dessa premissa, o governo de Juscelino K., na década de 50, empreendeu a liberdade de crédito à população e estimulou na compra de veículos das fábricas transnacionais pré-estabelecidas no país. Entretanto, em razão dessa prioridade histórica à indústria automobilística, outros modais de transportes foram marginalizados e sucateados. Tal conjuntura, portanto, criou um ciclo intermitente de deterioração das cidades e do meio ambiente, dado que, com o crescimento de carros e motos, há o maior uso das fontes não renováveis e, sequencialmente, maior emissão de gases poluentes.

Por conseguinte, vale destacar a omissão da esfera pública em garantir a plena execução de alternativas que suscetibilizam a superação da problemática em análise. A esse respeito, a Constituição Federal de 1988 - norma de maior hierarquia do sistema judiciário brasileiro - garante a todos os cidadãos o direito de ir e vir. Contudo, na prática, há uma expressiva falha na comprovação desse direito, uma vez que, as falhas de planejamento no transporte público coletivo, tal como a superlotação e a falta de segurança, não edifica essa liberdade de locomoção prevista sob à lei. Logo, tal situação viabiliza a preferência social pelos modais individuais, edificando a exorbitante incidência de veículos na linha rodoviária, oportunizando, assim, a atuação de problemas como engarrafamentos e acidentes.

Em suma, medidas devem ser tomadas a fim de contornar a crise da mobilidade urbana no Brasil. Nesse sentido, urge que o Ministério de Energia e Transportes trace um perfil inovador de mobilidade no país, por meio da criação e estruturação de outras alternativas de deslocamentos. Para isso, investimentos devem ser redigidos à criação de mais transportes públicos, como hidrovias, metrôs, ônibus e ciclovias, de maneira à equilibrar o problema da lotação. Além disso, o Ministério citado deverá realizar medidas que melhorem a segurança, através da contratação de mais policiais municipais e seguranças, reforçando a ronda e monitoramento em terminais e estações. Assim, espera-se que a população se sinta mais segura e estimulada a usufruir dos modais coletivos e, posteriormente, o Brasil atinja com sucesso a meta estabelecida no Acordo de Paris.