A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 28/10/2019

A mobilidade urbana consiste no deslocamento diário da população dentro do espaço geográfico do país. Em virtude disso, o acúmulo excessivo de veículos nos grandes centros urbanos ocasiona congestionamentos e poluição, os quais abrem espaço para o agravante da crise urbana no Brasil. Ademais, o investimento precário nos transportes públicos, bem como as políticas de incentivos ao crédito automotivo são as principais questões a serem superadas no que tange a mobilidade urbana brasileira.

Em princípio, o investimento precário nos transportes públicos é um agravante no atual contexto brasileiro, uma vez que, desde a industrialização da década de 30, esse mecanismo esteve atrelado as áreas nobres centrais. Em virtude disso, o crescimento desenfreado das cidades, oriundo do êxodo rural, não foi acompanhado por políticas públicas que visavam o acesso democrático aos meios públicos de locomoção, o qual gerou e gera, ainda hoje, a superlotação e a má qualidade dos mesmos. Logo, os reflexos desse período permanecem atuais, tendo em vista o tempo de espera nas paradas de ônibus, nas regiões periféricas, e a inflação dos metrôs, nos grandes centros urbanos, ocasionados por uma infraestrutura ruim em conjunto a uma logistíca precária.

No que diz respeito as políticas de incentivos aos créditos automotivo, dados do Governo Federal demonstram que o modal rodoviário corresponde a 60% do trasporte de cargas do Brasil. Sendo assim, é possivel relacionar tais dados ao período do governo Juscelino, no qual teve como um dos seus programas o de integração territorial - criação de rodovias para um maior intercâmbio comercial entre as regiões brasileiras - e assim atrair empresas automobilísticas estrangeiras ao país. Desse modo, foi instaurada uma cultura dos meios rodiviários em detrimento de outras modais, seja no campo do deslocamento ou comercial, cuja qual abriu espaço a consolidação de créditos, por parte dos  bancos, para fomentar o comércio de veículos e consequentemente inflar os grandes centros.

Diante do exposto, são inegáveis os prejuízos à sociedade brasileira em decorrência da crise da mobilidade urbana. Primeiramente, compete a União ,por intermédio de concessões financeiras, em conjunto ao setor privado, aprimorar/aumentar as frotas existentes do transporte público e incrementar novos modelos de mobilidade, a exemplo dos patinetes elétricos, com a finalidade de reestruturar a logística do deslocamento urbano. Destarte, compete também ao Governo Federal, em parceria com o Exército, retomar projetos  que objetivam o investimento em outras modais - tais como hidrovias e ferrovias - na tentativa de amenizar gastos públicos, bem como integrá-las aos outros sistemas de transportes e com isso desinchar as grandes cidades.