A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 29/10/2019

O conjunto de condições que possibilitam o transporte de pessoas nos grandes centros urbanos relaciona-se diretamente com o bem-estar social e principalmente com a economia de um país. Desse modo, em um mundo cada vez mais intenso e imediatista, garantir uma mobilidade urbana que seja eficiente e esteja em compasso com os interesses sociais, políticos e econômicos é um desafio para o Estado que precisa lidar com o crescente número de carros e reformular estratégias para um transporte público de qualidade.

Desde a década de 60, com a aplicação das medidas tomadas pelo então presidente JK através de plano desenvolvimentista, o Brasil estruturou suas bases da mobilidade no rodoviarismo e na indústria automobilística. Tais articulações repercutem na contemporaneidade através da carrocracia que mobiliza grandes setores industriais  e direciona grande parte dos investimentos para apenas esse modal o que implica no abandono e sucateamento de transportes alternativos.

O transporte público, por exemplo, é um dos tipos de modais que foi sufocado pelos interesses da industria automobilística. A consequente falta de investimentos e o monopólio de grupos administrativos representam elementos que contribuem para a precariedade e preços incoerente, muitas vezes abusivos, desse modal.

Ademais, a carrocracia e os grandes incentivos ao mercado automotivo, faz com que a frota de veículos aumente cada dia mais. Tal aumento tem impactos diretos tanto na poluição ambiental, quanto na esfera social. Estudos mostram que a maior parcela de emissão de gás carbônico em grandes centros é proveniente dos veículos, o aumento da concentração desse gás na atmosfera além de intensificar o efeito estufa e contribuir para as mudanças climáticas, também pode desencadear o estresse que está relacionado a outros problemas de saúde, como o aumento da ansiedade. Tanto um quanto outro diminuem a produtividade da população economicamente ativa, parcela da população mais afetada com a crise de mobilidade urbana, o que ressoa e afeta diretamente a economia.

Sendo assim, diante da crise vivida pelo sistema de mobilidade urbana no Brasil, que sofre com a carrocracia e seus efeitos, uma reforma faz-se necessária. O transporte público precisa de investimentos e incentivos fiscais para desenvolver-se de forma adequada, o que responsabiliza o Estado a garanti-los. Além disso, é preciso que os grupos administrativos estabeleçam um diálogo mais saudável com seus usuários, criando melhores condições de pagamento, maiores linhas de serviço e melhores condições de usabilidade. Medidas como essas serão o início de uma mudança de pensamento contrário à carrocracia e favorável a eficiência da mobilidade urbana no Brasil.