A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 30/10/2019
Segundo a Constituição Federal do Brasil, promulgada em 1988, todos têm o direito de ir e vir, ou seja, todos podem se locomover pelo país sem ter medo de ser privado disso. Entretanto, em pleno século XXI, uma crise crescente se desenvolve na mobilidade urbana, o que impede que a população brasileira se desloque quando e onde quiser. Nessa óptica, fatores como o déficit no investimento governamental no transporte público e o estímulo ao consumismo, colaboram para a permanência desse problema na sociedade. Sendo assim, medidas são necessárias para atenuar os impasses que impedem que a sociedade transite livremente.
Antes de tudo, vale ressaltar que o reduzido capital destinado ao desenvolvimento do transporte coletivo é o principal causador de tantos automóveis nas ruas. Prova disso é a música “Transporte Coletivo”, do “rapper” Rincon Sapiência, que retrata fielmente o descaso com os meios públicos de locomoção, como a reduzida frota que ocasiona em linhas superlotadas, os assentos precários e o preço que sempre sofre reajuste e não ocasiona em melhorias. Nesse sentido, com o oferecimento de um transporte tão precário, a população opta por ter seu próprio veículo, o que corrobora para o congestionamento nas vias do país.
Outrossim, o estímulo ao consumismo é um fator que contribui para que a população compre veículos sem que realmente precise. Prova disso é a fala de Zygmunt Bauman, que diz que a sociedade consome por causa de uma necessidade inventada pelo sistema capitalista. Nesse contexto, a frota de automóveis particulares só aumenta nas ruas do país, uma vez que a população compra para satisfazer desejos artificiais. Tal atitude contribui para a poluição do ambiente, e por consequência, o desenvolvimento de problemas respiratórios.
Portanto, intervenções são de extrema importância para amenizar a crescente crise na mobilidade urbana. Assim sendo, o Ministério dos Transportes deve investir nos meios coletivos de tráfego, por meio do aumento de frotas, imposição do limite de pessoas dentro do transporte e melhorias nos assentos, para que assim, mais pessoas utilizem os ônibus e metrôs. Ademais, as escolas devem oferecer minicursos que ajudem a população a desenvolver o senso crítico, e assim, consiga perceber quando a sua necessidade é real ou fictícia. Dessa maneira, os brasileiros não comprarão veículos por serem seduzidos pelas propagandas manipuladoras. Com essas atitudes, haverá uma redução de automóveis particulares nas ruas e, por conseguinte, dos congestionamentos, o que reduzirá o números de problemas respiratórios pelo excesso de automóveis em trânsito. Só assim, o direito de ir e vir será garantido na prática.