A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 29/10/2019
Em seu poema intitulado como “No Meio do Caminho”, Carlos Drummond de Andrade diz: “No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”. Em outro contexto, a mobilidade urbana se tornou um desafio no aspecto rodoviário e de saúde da população brasileira.
Em primeiro plano, deve-se analisar que a urbanização aconteceu de forma espontânea e não planejada e, em conjunto com a expansão rodoviarista no governo de Juscelino Kubitschek que valorizou a compra de carros, com o passar dos anos ocorreu um excesso de veículos o qual a infraestrutura não comporta. Segundo o Observatório das Metrópoles, a frota de carros dobrou nos últimos dez anos, logo, isso virou uma pedra no caminho no cotidiano dos brasileiros.
Destaca-se que carros emitem gases poluentes como o monóxido de carbono, metano e óxidos de nitrogênio. Segundo a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, além deles causarem inversão térmica (os gases e a camada fria ficam retidos na atmosfera), estão relacionados com a causa de câncer no pulmão e na bexiga. Portanto, é um obstáculo que deve ser vencido, pois, é um direito do cidadão ter saúde e bem estar social, assim como está na Declaração dos Direitos Humanos feito pela Organização das Nações Unidas.
Parafraseando Drummond, para que se retire as pedras do meio do caminho, são necessárias ações. Por isso, é necessário que o Governo Federal em parceria com os Governos Estaduais estabeleçam uma rotatória de carros pelas placas visando diminuir o número de carros na rodovia por dia e, consequentemente, amortecer gradativamente a emissão de poluentes. Também, podem ser desenvolvidas pelo Ministério da Educação e Ministério da Infraestrutura palestras em escolas com pessoas informadas no assunto sobre meios alternativos de transporte, para que haja conscientização nos jovens de que há outros meios que são menos prejudiciais para o meio ambiente e saúde, além de possuir igual ou maior eficiência que os carros.