A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 31/10/2019
O Fordismo é um sistema de produção industrial baseado na fabricação em larga escala, trabalhos especializados e linhas de montagem, sendo a área automobilística -carro- o seu maior representante. A fim de buscar novos consumidores, agências de publicidades transformaram o transporte individual em símbolo de prestígio e ascensão social. A soma desses fatores com incentivos ao financiamento e fácil acesso ao crédito permitiu que o consumo fosse feito por diferentes tipos de público. Contudo, as cidades brasileiras possuíam pouca infraestrutura para acompanhar essa tendencia. Assim, o mal planejamento urbano gerou trânsito caótico nas grandes cidades e, além do mais, a baixa diversidade de modais foram precursoras para atenuar a crise de mobilidade urbana nacional.
O ponto de partida é dado por uma análise histórica. “Governar é abrir estradas”, esse era o lema da campanha do ex presidente Washington Luís, na década de 1930. Túneis, Rodovias e viadutos moldaram a paisagem das capitais brasileiras para que veículos, até então inaugurados, pudessem transitar e assim vender ao mundo a imagem que o Brasil também é um país desenvolvido. Dessa forma, incentivos a outros modais -ferroviário- ficaram em segundo plano. Entretanto, a industrialização nacional causou um grande crescimento populacional desordenado nas cidades. Como consequente, investimentos até então feitos foram insuficientes para suprir essa necessidade e uma nova demanda por meios de deslocamento foi criada, o transporte de uso coletivo.
Ademais, vale ressaltar que o inchaço urbano trouxe impactos significativos no fluxo viário. Na letra da canção “Rodo Cotidiano”, a banda O Rappa descreve a forma de como é feita a ocupação do espaço público e as condições pela quais o serviço de transporte coletivo é oferecido à sociedade. Para isso o cantor faz analogias, onde currais representam o espaço público e os animais, as pessoas. Nessa perspectiva é notório que a população opte ao transporte individual. Esse fator gera aumento no número de veículos nas ruas, acentuando essa crise. A união disso com o baixo investimento feito aos transportes alternativos, como bicicleta, transforma o ambiente em uma zona caótica e insustentável.
Diante do exposto é notório que o problema de mobilidade urbana tem origens diversas e medidas multidisciplinares são necessárias para atenuar esse problema. Assim, é imprescindível que o Ministério da Infraestrutura, em conjunto com os Estados e Municípios, crie planos diretórios para diversificar os meios de transporte público e individual, e além do mais, amplie a extensão de ciclovias, linhas de metrô e ônibus. Essa aplicação será possível através da destinação de parte da arrecadação tributária nacional ao Departamento de Desenvolvimento Urbano (DDU), para que a população tenha acesso a um sistema viário eficiente, seguro e igualitário.