A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 30/10/2019

Mobilidade é o difícil desafio das grandes cidades urbanas. A alternativa pelo automóvel - que parecia ser a solução do século 20 à necessidade de locomoção - ocasionou em uma crescente crise do predomínio modal rodoviário com ênfase pelo plano rodoviário de JK. Embora, fosse uma opção a priorização do modal rodoviário para obter uma melhoria do transporte naquela época, tal fator gerou a desaplicação de investimentos em outras alternativas qualificadas que atendessem a longo prazo incontroláveis populações brasileiras, desencadeando um cenário estremo de caos urbano.

Em primeiro plano, a política rodoviária teve ascensão na década de 50, quando o novel presidente Juscelino Kubitschek deu ênfase no processo industrial do Brasil que naquela época necessitava de uma integração territorial maior e eficaz visando atender o plano de metas elaborado nesse Governo. Referente a esses fatos, o gasto orçamental ficou concentrado na indústria automobilística e nas construções de rodovias, essas que aniquilaram praticamente qualquer orçamento para outras possibilidades de transportes competentes.

Em segundo plano, o modal inserido na realidade urbana das grandes cidades limita o cidadão na escolha do transporte, que ou possui um automóvel e percorre quilômetros de congestionamento sob o estresse da situação, além de estar sujeito a desfalcar ou atrasar ao trabalho, ou arca financeiramente, mesmo contribuindo com todos os impostos exigidos, com valores desproporcionalmente incoerentes do serviço prestado pelos transportes coletivos e públicos que geralmente apresentam algum problema  na sua infraestrutura e são precários nas suas integrações territoriais. Essa crise da mobilidade, extrapola não só essas barreiras definidas nesse panorama, mas dificulta o próprio direito de ir e vir do cidadão.

Em virtude dos fatos mencionados, para que a mobilidade se torne mais ampla e de qualidade, é necessário que o Governo amplie calçadas das cidades, crie ciclovias e ciclofaixas e aperfeiçoe as já existentes, através de um amplo planejamento urbano, implemente iluminações adequadas para despertar a sensação de segurança, reestruture e sinalize as vias e também disponibilize maiores quantidades de bicicletas e patinetes alugáveis. Além do mais, é necessário amplificar as rotas e resolver a qualidade do transporte público e coletivo diminuindo as taxas cobradas, fazendo melhorias nas acomodações e desenvolvendo melhores integrações territoriais por meio de faixas únicas para ônibus e BRT. Feito isso, outra proposta seria que a iniciativa pública e privada criassem pedágios urbanos, que seriam implementados em locais movimentados cobrando valores significativos para conter a locomoção nessas áreas para viabilizar de melhor forma o transporte coletivo nesses pontos.