A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 31/10/2019

“Amor como princípio e ordem como base, progresso como meta”. O lema da corrente filosófica positivista, que tinha com principal representante Augusto Comte, reverberou o desenvolvimento do material e intelectual do Brasil. Contudo, ao transparecer à temática da crise de mobilidade urbana, torna-se evidente que tal slogan não se forjou no país, uma vez que desenvolvimento econômico e sustentável são divergentes. Ora, “ordem e progresso” ecoa antinômico.

Nesse caleidoscópio, vale salientar que a globalização, acrescida de uma cultura imediatista, corrobora para uma ilusão de conforto na posse de um veículo individual. Não raro, o brasileiro não comunga de uma visão ecológica, e por vezes, a mídia versa apenas - Emissões de CO2 aumentam após três anos de estabilidade(G1)-, e atrelam total responsabilidade aos gestores políticos, isentando-se de culpabilidade, quando os danos congregam a todos. Afinal, como já proclamava Gregório de Matos “O todo sem parte não é todo”. De fato, é significativo implementar mudança no “todo” estagnado, para conviver em âmbito saudável.

Ademais, outro fator de entrave é a ausência de concepções e uma adequação plena a um modelo governamental sustentável, no tocante a questão de usos de fontes limpas. Dessa forma, a precariedade nos transportes públicos, superlotação, elevação de tarifas, ocasiona para à ineficiência de inclusão alternativa nas zonas urbanas, visto que os investimentos são ínfimos. Conforme a obra “Raízes do Brasil”, de Sergio Buarque de Holanda, o brasileiro ver o Estado como um pai, deixando total responsabilidade político-social em suas mãos. Desse modo, paralelo às garantias que competem ao domínio político, se encontra a necessidade de ações conjuntas com a sociedade, de modo a gerir um futuro ecologista. com isso, urge a necessidade de investir em um modal integrado e limpo.

Repensar, portanto, à problemática da mobilidade urbana no Brasil, é essencial para o desenvolvimento. Logo, torna-se fulcral que o discurso midiático alerte por meio de campanhas sobre a importância da utilização de transportes alternativos, e que a utilização de combustível limpo é de extrema relevância, com intuito de amenizar os danos ao meio coletivo. Outrossim, é o Poder Público que deve viabilizar incentivos estatais de maneira plena, para que por intermédio do Ministério de Infraestrutura e Planejamento, adequem transporte público, ciclovias e vias alternativas, com fito de evitar mais congestionamentos, diminuir a poluição e otimizar o tempo. Assim, o “progresso” soará eficaz.