A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 31/10/2019
Foi no contexto desenvolvimentista da década de 1950, no Brasil, que o então presidente Juscelino Kubitschek inaugurou a primeira indústria automotiva. Naquele período, o carro tornou-se objeto de desejo e sinônimo de ascensão social, o que fez com que o brasileiro aderisse cada vez mais à praticidade que essa máquina proporciona. Ao traçar um panorama com a atualidade, mais de meio século após a fundação da primeira fábrica de automóveis no país, a visível crise na mobilidade urbana brasileira é uma problemática que instiga a sociedade a refletir sobre os desafios da questão. Assim, é lícito afirmar que a ineficiência estatal e postura inerte de parcela da sociedade contribuem para a perpetuação do excesso de veículos e congestionamentos nas ruas do país.
A princípio, evidencia-se, por parte do Governo, a ausência de políticas públicas suficientemente eficazes em estimular os meios de transporte alternativos e sustentáveis, como veículos leves sobre trilhos (VLT’s) e sistemas de aluguel de carros de uso coletivo. Essa lógica é comprovada pelo papel meramente ilustrativo que o Ministério da Infraestrutura desempenha na administração pública brasileira. Instituído para atuar como um órgão de gestão do trânsito a nível nacional, tal ministério limita-se a executar ações paliativas e tradicionais, como a construção de binários nas avenidas e obras alargamento de vias. Assim, o Estado atua como agente contribuidor da lamentável mobilidade urbana brasileira. Logo, é substancial a mudança desse quadro.
Outrossim, é imperativo pontuar que a inércia de parte da sociedade - que não está disposta a deixar o conforto do automóvel - também contribui para a escalada da crise no tráfego. Nesse sentido, nada adianta reclamar das más condições do trânsito nas cidades brasileiras se, ao mesmo tempo, o indivíduo é usuário de um meio de transporte individual, que colabora para a manutenção de congestionamentos e demais problemas decorrentes do alto número de automóveis nas ruas. Dessa forma, percebe-se também a sociedade civil como parte responsável por essa problemática que afeta a qualidade de vida dos brasileiros.
É necessário, portanto, que Estado e sociedade trabalhem para superar a crise na mobilidade urbana no país. Posto isso, o Ministério da Infraestrutura deve, por meio de pedido de verba suplementar ao Poder Executivo, aumentar os repasses financeiros para investimento em meios e sistemas de transportes coletivos, como VLT’s, ônibus e construção de faixas exclusivas para coletivos, a fim de tornar esses veículos mais eficientes e atrativos para as pessoas e incentivá-las a reduzir o uso do carro particular. Ademais, é preciso que a mídia televisiva, mediante campanhas a nível nacional, convoque os brasileiros a mudar de atitude e a usar o transporte público para o bem da coletividade