A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 01/11/2019
O caos da infraestrutura brasileira não tem como origem a atualidade. Desde o início da instalação portuguesa, em 1500, áreas de maior interesse econômico foram priorizados, deixando outras à margem; Fenômeno que se intensificou após o fim da escravidão, em 1888, quando grande parte da população negra foi confinada nas partes afastadas dos centro econômicos, o que gerou favelas totalmente desestruturadas. Como consequência, grandes áreas periféricas não possuem recursos básicos nem integração planejada com os centros urbanos, gerando, assim um caos econômico e social no país.
Em primeiro plano, pode - se observar um afunilamento do desenvolvimento brasileiro gerado por uma incorreta integração territorial, historicamente. Os principais “commodities” brasileiros geram perdas enormes pelo não escoamento adequado, como, por exemplo, o transporte de soja do Centro-Oeste para o Nordeste, feito pela estrada 153. Essa via passa por áreas renegadas pelo governo, além de estar sujeita ao roubo de cargas e à perda de material devida à sua falta de manutenção correta de modo que o transporte é extremamente lento e quando os caminhões chegam aos portos, ainda têm de lidar com o “empilhamento” de caminhões devido à estrutura não funcional e lenta dos portos onde as cargas ficam dias em espera para serem colocadas nos navios. Logo, levando assim a um prejuízo de empresas privadas e Estatais por serem totalmente dependentes dessas vias.
Devido a não priorização governamental de uma reforma urbana, problemas sociais estão sendo perpetuados em efeito dominó: cada peça tem efeito direto sobre a outra do mesmo modo que as áreas sem saneamento básico provocam enchentes e disseminam doenças que geram a superlotação de hospitais. O mesmo ocorre com a falra de acesibilidade das áreas pobres aos centros com empregos, o que eleva a parcela populacional desempregada ou na vida do crime, gerando violência e insegurança. A básica falta de escolas em áreas afastadas do centro, por sua vez, tem efeito nas causas anteriores e na própria formação social, já que “O homem é o que a educação faz dele”, segundo Kant.
Torna-se urgente, portanto, uma união público-privada para fazer uma reforma urbana no país utilizando, por exemplo, linhas de trem como maior foco pois tem baixo custo de manutenção e transporta rapidamente. Com finalidade de integrar áreas corretamente, evitando gastos desnecessários, O Governo Federal deve direcionar verba para áreas renegadas, para equipará-las aos centros urbanos, mesmo nas questões básicas, pois só assim será possível reverter toda uma construção feita através de séculos de existência.