A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 01/11/2019

Todos os anos, ocorre no Brasil a prova do Enem. Nesse período, tornaram-se comuns reportagens apelidadas na internet de “show dos atrasados”, as quais mostram aqueles que, por diversos motivos, não conseguiram chegar no horário para a prova. É verdade que existe aí também a falta de planejamento para estar cedo no local de aplicação, mas não anula o fato do trânsito complicado das cidades brasileiras contribuir para atrasos. Portanto, Esse teste é um exemplo entre tantos de como a crescente crise de mobilidade é preocupante nos grandes centros do país; algo que possui razões estruturais e se agrava por irresponsabilidades governamentais.

Primeiramente, é preciso entender as causas dessa crise. Segundo economistas vinculados a UFPE,  a cultura do automóvel como status social, algo que surge já nas décadas de 50 e 60, junto com a oferta de crédito recente no país, a qual possibilitou muitos financiarem a compra de veículos; causam um inchaço destes nas ruas. Entretanto, o problema de mobilidade já é tão grande, que as pessoas estão dispostas a abdicar dos carros. Prova disso é que, de acordo com o IBOPE, mais de 80% dos que responderam a pesquisa em São Paulo, abririam mão do transporte pessoal caso houvesse o público de qualidade.

Para agravar tal problema, existe também uma questão de irresponsabilidade pública. Isso ocorre pois muitos governantes não fazem planejamento adequado para iniciar obras que solucionem a crise. Exemplo disso é algo ocorrido no Recife, em que foram gastos mais de 40 milhões, segundo dados do próprio governo, para dragar os rios da cidade com intuito de implantar neles a navegação. Esse dinheiro foi perdido pois o projeto nunca passou da fase da dragagem, por falta de mais verba; e hoje os rios estão voltando a se tornarem inavegáveis devido ao lixo e esgoto jogados neles.

Em suma, a questão da mobilidade urbana precisa ser solucionada no Brasil, algo que só ocorrerá com o transporte público de qualidade e planejamento estatal. Para isso, cabe primeiramente um estudo individual de cada cidade para ver qual a melhor alternativa pública de transporte para ela, algo que deve ser feito pelos governos estaduais em parcerias com as universidades, já que é fator variável de acordo com a localidade, exemplo seria que para São Paulo talvez seja melhor o metrô, já para o Recife seria provavelmente as vias fluviais. É importante também que as Assembleias Legislativas Estaduais criem leis que obriguem os governantes a só iniciarem obras depois de um projeto de planejamento comprovadamente eficaz e capaz dentro do orçamento público. Portanto, talvez essas medidas não acabem que o problema dos atrasados do Enem, mas com certeza ajudarão no direito de ir e vir do cidadão.