A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 02/11/2019
A partir da década de 60 a indústria automobilística adquiriu um papel de grande relevância no cenário político e econômico brasileiro. Instaladas as primeiras fábricas automotivas em território nacional durante o governo de Juscelino Kubitschek a pauta de transportes e acessibilidade se concentrou no modelo rodoviário. Este legado histórico resultou em uma crise de mobilidade, principalmente nos meios urbanos, que sofre com a disputa de espaço entre automóveis individuais e transportes coletivos e alternativos e com o desrespeito as leis de trânsito que agravam a crise de mobilidade.
O principal meio de transporte no Brasil é o rodoviário. Desde a abertura do mercado nacional para a instalação de montadoras automotivas estrangeiras, outros meios de transporte como o ferroviário decresceu, o que gerou uma grande dependência para este mercado. Entretanto, constata-se em um país de grande extensão territorial e aglomerados urbanos de altas densidades populacionais uma crise de mobilidade causadas tanto pela falta de planejamento quanto desigualdade social. A cidade de São Paulo, por exemplo, possui um dos metros quadrados mais caros da América Latina onde a distribuição por renda da população segue um plano centro-periferia, com as regiões centrais concentrando os postos de trabalho das classes baixas e moradia das classe mais altas, e a periferia, o contrário.
Deste modo, o trabalhador percorre grandes distancias até o trabalho e na maioria das vezes em transportes coletivos como ônibus e metrô, disputando espaço com os automóveis individuais, tanto a bordo dos coletivos como em situação de pedestre. Ademais, o desrespeito as leis de transito na maioria das vezes resulta em um enfraquecimento dos transportes alternativos, como os ciclistas e os próprios pedestres, que se veem ameaçados de maneira desproporcional pela imprudência de alguns motoristas que não respeitam os espaços destinados a essas modalidades, seja estacionando em calçadas ou invadindo ciclofaixas.
Diante dos argumentos supracitados, é dever do Estado adotar medidas que visem a melhoria de mobilidade nos meios urbanos, criando campanhas de incentivo ao uso de transportes coletivos, assim como melhorias na infraestrutura e oferta dos mesmos, além de impor leis e punições mais severas para os que não cumprem ás leis de transito. Some-se a isso incentivos em transportes alternativos como metrô e monotrilho, e incentivo a educação de transito tanto em nível fundamental e universitário de caráter obrigatório quanto para motoristas já habilitados. Somente com investimento em políticas publicas de educação e mobilidade pode-se construir uma cidade mais funcional e com cidadãos plenamente conscientes do seu funcionamento como um todo.