A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 26/11/2019
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que problemas relacionados à mobilidade urbana no Brasil apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto do aumento no número de veículos, quanto da ausência de políticas direcionadas à infraestrutura. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Precipuamente, é fulcral pontuar que problemas de engarrafamentos derivam da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, as cidades não comportam o volume total de veículos nas ruas, tornando um caos a vida do cidadão que necessita desses para chegar ao trabalho. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Ademais, é imperativo ressaltar a cultura do brasileiro em não utilizar transporte público como promotor do problema. De acordo com o IBOPE (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística) em 2018 a lotação média dos ônibus de transporte público na cidade de São Paulo era de apenas 59%. Partindo desse pressuposto, o cidadão brasileiro tem a obrigação de cobrar por melhores serviços públicos, porém tem o dever de utilizá-los. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que a não utilização do transporte público aumenta a quantidade de veículos nas ruas diariamente, o que contribui para a perpetuação desse quadro deletério.
Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Dessarte, com o intuito de mitigar a crescente crise na mobilidade urbana brasileira, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Infraestrutura, será revertido em investimentos na engenharia de trânsito, através de obras de ampliação de faixas para o transporte público e aumento de linhas do metrô. Além do mais, faz-se necessárias campanhas dos respectivos DETRAN(Departamento Estadual de Trânsito) que incentivem o trabalhador a usar o transporte público diariamente. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo dos engarrafamentos no Brasil, e a coletividade alcançará a Utopia de More.