A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 26/12/2019
A Constituição Federal, no artigo 5º, garante à população brasileira o direito de ir e vir. No entanto, observa-se que esse direito é suprimido pela dificuldade de locomoção nas vias públicas, problema recorrente em cidades de grande porte. São Paulo é uma das principais vítimas do problema; o tempo de deslocamento médio de casa para o trabalho é superior à 40 minutos. O problema é, sobretudo, oriúndo da falta de planejamento estrutural.
Nos períodos de ascenção econômica do Brasil, como o ciclo do café e a chegada das indústrias, observa-se grande migração para a região Sudeste. Esse processo migratório ocorreu de forma veloz, fazendo com que não fosse precedido de um planejamento urbano por parte das grandes cidades da região, gerando crescimento populacional sem que houvesse preparo para o mesmo. Por conseguinte, a mobilidade urbana nas grandes zonas metropolitanas foi e ainda é fortemente afetada pela falta de preparo para receber grandes fluxos.
Os congestionamentos constantes em metrópoles são, também, resultado da grande quantidade de veículos. A cidade de São Caetano do Sul chegou a registrar taxas de 631 veículos a cada mil habitantes. Com a baixa qualidade do transporte público, cada pessoa se locomove individualmente em seu veículo, aumentando o número desses nas ruas. Por outro lado, há também o desuso de outros meios de transporte, como bicicletas. O uso de outros meios geraria diminuição de veículos, como também uma menor taxa de emissão de poluentes.
Dado o exposto, necessita-se de maior investimento em meios de transporte públicos e construção de ciclovias, como também no uso desses por parte da população. Tais obras resultariam em menor quantidade de veículos, como também facilitariam a mobilidade urbana. É dever do Estado fornecer os direitos dos cidadãos; entre esses, o de locomover-se.