A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 06/01/2020

Em meados da década de 1950, o investimento no modal rodoviário e na indústria automobilística foram características marcantes da política desenvolvimentista do presidente Juscelino Kubistchek. Nesse sentido, a ascensão dos automóveis colocou o Brasil em um contexto de desenvolvimento e modernidade. No limiar do século XXI, carros, motocicletas e caminhões ainda são a principal forma de deslocamento de pessoas e mercadorias. Entretanto, a grande frota deles estabelece o problema da falta de mobilidade urbana. Tal fato reside, sobretudo, na precariedade dos transportes coletivos e no pouco estímulo para que a população obtenha meios alternativos de se locomover.

Cabe ressaltar, inicialmente, que o grande número de veículos individuais dificulta o trânsito ao deixá-lo lento e congestionado. Diante dessa perspectiva, os transportes coletivos correspondem a uma boa opção frente a esse cenário. Todavia, no contexto vigente, eles são, em sua maioria, precários e não atendem as demandas dos cidadãos. Prova disso são dados da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos que mostram que a escolha por ônibus e metrôs públicos caiu 35% no último ano. Isso se deve, principalmente, a problemas recorrentes como lotação e falta de conforto e praticidade, o que resulta na preferência por outros meios de transporte que ocupam a maior parte de ruas e avenidas e dificultam a mobilidade urbana.

Outrossim, o escasso incentivo para que os indivíduos utilizem meios alternativos advém  da carência de boas estruturas nas cidades. É válido salientar que o processo de urbanização brasileiro foi acelerado, tardio e não planejado, o que resultou em deficiências em calçadas e ciclovias, por exemplo. Dessa forma, os cidadãos possuem o sentimento de insegurança para se deslocar por meio de bicicletas ou caminhadas, visto que ,de acordo com o portal de notícias G1, o número de acidentes como atropelamentos sofreu um aumento. Nesse viés, o grande número de automóveis é um resultado disso, e afeta negativamente o meio ambiente, haja vista que tais veículos liberam uma grande quantidade de dióxido de carbono para a atmosfera e acentuam fenômenos como o efeito estufa e o aquecimento global. Além disso, prejudicam a qualidade de vida da população, pois aumentam o tempo necessário para o transporte e geram, consequentemente, estresse e brigas de trânsito.

Portanto, a crise na mobilidade urbana é maléfica para o Brasil. Faz-se necessário que os Governos Municipais, sobretudo das metrópoles e grandes cidades, invistam em melhorias do transporte público, calçadas e ciclovias. Para isso, devem buscar o patrocínio e o incentivo do capital privado, por meio de bonificações e vantagens para as empresas que auxiliarem o processo. A partir disso, devem conscientizar os cidadãos, por meio de uma parceria com a mídia, a fim de atenuar o problema.