A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 29/01/2020
Quando se fala em cidade, é possível lembrar do pensamento comum de Platão, Sócrates e Aristóteles de que a felicidade está relacionada ao bem comum dos cidadãos. Portanto, o transporte coletivo deve se sobrepor ao transporte individual, visando à cidade como um espaço de todos. Conseguinte, mobilidade urbana não é apenas o deslocamento da população, mas um espaço de convivência democrática que deve incluir pessoas com deficiência e priorizar a segurança dos pedestres.
Para o filósofo Aristóteles, não é possível pensar no ser humano deslocado da ideia de cidade. Para ele, o ser humano é um ser social e político. Em sua etimologia, cidade vem de “pólis” e está ligada à ideia de política e cidadania, ou seja, há uma relação intrínseca entre políticas públicas e cidadania e, por conseguinte, à qualidade de vida da população. Além do congestionamento consequente da grande disseminação de veículos privados, a alta nos preços das passagens e poucos transportes possibilitados à inclusão de pessoas deficientes acarretam problemas como transtornos no trânsito e contribuem para a poluição do ar, assim como a poluição sonora decorrente das buzinas.
Considerando os aspectos mencionados, fica evidente a necessidade de melhorias. O governo deve investir na melhoria das locomoções públicas, a fim da inclusão dos cidadãos com mobilidade reduzida. Priorizar a segurança nas ruas em proteção aos pedestres e aos motoristas através de campanhas públicas contra o aumento de velocidade em áreas proibidas e perigosas, assim como no rigor na fiscalização contra a embriaguez no trânsito. Assim como nas “Manifestações de Junho”, em 2013 na cidade de São Paulo, que exigiam a baixa no preço das passagens, a população deve reivindicar seus privilégios e interpelar os representantes para que todos habitantes tenham o direito à cidade.