A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 03/02/2020
Em Amsterdã, cidade holandesa, o uso majoritário da bicicleta é cultural. Essa predileção traz impactos positivos aos trânsito local, tornando-o fluido e mais saudável. No brasil, a mobilidade urbana é prejudicada por políticas públicas de infraestrutura ineficientes em conjunção com o sistema de transporte público defasado. É evidente a importância da discussão dessa problemática, com o intuito de promover ações que minimizem essa crise.
Antes de tudo, o caos presente nos modais de transporte urbano tem afetado não só o bem-estar do cidadão como também a dinâmica de seu cotidiano. No clipe “Walk” da banda Foo Fighters, o protagonista entra em um colapso nervoso, devido às situações advindas de um trânsito lento. O vídeo ilustra o estresse diário em que estão inseridos os motoristas nos meio urbano, em função do longo tempo de espera no deslocamento pelas vias, que em meio à uma população crescente, tornara-se rotineiro. O contingenciamento das vias urbanas, portanto, torna o indivíduo refém do tráfego e essa privação de liberdade, diverge do ideal do bem comum.
Ademais, a péssima qualidade do transporte público e a incompetência das políticas de infraestrutura colocam entraves na solução do comprometimento da mobilidade urbana. Segundo pesquisas do IBOPE, cerca de 80% dos entrevistados optariam por deslocamento coletivo, caso este fosse de qualidade. Tal dado revela que quase a totalidade desse grupo o considera ineficiente, o que por consequência leva à aquisição de carros ou motos e assim, ao acréscimo no volume do tráfego rodoviário. Ademais, o baixo estímulo à construção de ciclovias e a condição precária de calçadas, inibe o uso da bicicleta e a caminhada, o que torna o uso de veículos automotores mais viável. Desse modo, as cidades entram em um ciclo vicioso, onde a única solução possível, apesar de danosa, é a predileção pelo transporte automotivo individual.
Diante disso, depreende-se a necessidade de promover uma reestruturação da cadeia de transportes brasileira, o que deverá ser realizado por intermédio de diferentes medidas. Ao Ministério da Infraestrutura cabe a ampliação de ciclovias nos núcleos urbanos, bem como a adequação de calçadas, para que estas formas de trânsito sejam opções reais em contraste ao uso de outros meios de transporte. Às secretarias estaduais de logística e transporte compete a modernização de ônibus e metrôs e a veiculação de campanhas publicitárias que visem à conscientização da população sobre a importância de conservar estes bens públicos, para torná-los atrativos e prolongar sua vida útil. Assim, o direito de ir e vir será assegurado à toda população, sem maiores desafios.