A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 26/02/2020
“No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho’’. É possível assemelhar esse poema do grande poeta Carlos Drummond de Andrade com o cenário brasileiro, uma vez que a crise da mobilidade urbana é um erro que insiste em dificultar o desenvolvimento do Brasil. Dessa maneira, é irrefutável que esse problema causa efeitos negativos, como o aumento da poluição e prejuízos econômicos. Assim, entre os fatores que contribuem para essa problemática, destacam-se a falta de transportes públicos de qualidade e a ausência de incentivos governamentais.
Convém ressaltar, a princípio, que a falta de transportes púbicos de qualidade aumenta a crise da mobilidade urbana. Nesse sentido, consoante o filósofo alemão Arthur Schopenhauer, os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento sobre o mundo. Com isso, é notório que a precariedade em locomoções públicas, como ônibus e metrôs, no que tange ao atendimento da demanda populacional, faz com que o número de carros e motocicletas aumentem no trânsito, o que intensifica a poluição. Prova disso é que, de acordo com a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB), em um dia são emitidas por meios de transportes cerca de 530 toneladas de monóxido de carbono. Logo, esse cenário se caracteriza como um grave problema que necessita de medidas para saná-lo.
Além disso, a ausência de incentivos governamentais é um fator determinante para a crise da mobilidade urbana. Desse modo, segundo o filósofo Aristóteles no livro “Ética a Nicômaco”, o Estado tem como função principal responder os anseios dos cidadãos. Entretanto, esse papel não é cumprido, uma vez que a debilidade do Governo em investir na melhoria dos transportes públicos e em outras opções de locomoção, como bicicletas, resulta no excesso de carros, o que dificulta a mobilidade nas cidades e proporciona prejuízos econômicos para o país. A título de exemplo, de acordo com o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), todos os dias há mais de seis mil carros nas ruas do Brasil. Em vista disso, medidas são necessárias para combater esse problema.
É evidente, portanto, que a crise da mobilidade urbana é um empecilho no desenvolvimento brasileiro. Dessa forma, é necessário que o Governo promova melhorias nos transportes públicos, por meio de investimentos em projetos, os quais propiciem construções de faixas exclusivas para ônibus e melhora no atendimento, a fim de proporcionar uma mobilidade que atenda a demanda populacional. Além disso, cabe ao Governo incentivar o uso de outras locomoções, como bicicletas, com a finalidade de diminuir o excesso de carros nas ruas e o impacto ao meio ambiente. Assim, será possível alcançar o progresso e eliminar as dificuldades presentes no caminho.