A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 03/03/2020
Na Segunda Revolução Industrial, houve a evolução da circulação de mercadorias e de informação, permitindo uma maior integração entre regiões do planeta, viabilizando um desenvolvimento dos meios de transporte. No entanto, hodiernamente, vê-se que esse progresso levou à crescente crise na mobilidade urbana brasileira, de modo que o direito de ir e vir, na maioria das vezes, não funciona. Sendo assim, tal problema ocorre devido à falta de um plano de estruturação e à cultura do carro. À vista disso, subterfúgios devem ser encontrados, a fim de sanar esse problema.
Em primeira instância, a falta de um projeto para a estruturação de modais de transporte potencializa, ainda mais, a crise da mobilidade urbana. Nesse contexto, essa problemática tem suas raízes fundadas no governo de Juscelino Kubitschek, que, querendo desenvolver o país, investiu em larga escala na indústria de rodovias, deixando em segundo plano modais ferroviários, aquaviários e aéreos. Consequentemente, criou-se uma enorme dependência por esse tipo de transporte que, mesmo tendo suas vantagens, precisa de muitos reparos e é muito lento, o que resultou nos grandes trânsitos que são vistos nas cidades brasileiras. Desse modo, se essa for a realidade, a flexibilidade nunca existirá.
Outrossim, a cultura pelo carro e sua supervalorização influencia, diretamente, na crise da mobilidade urbana nacional. Nesse sentido, ter um automóvel, muitas vezes, não significa somente autonomia e flexibilidade, mas também é um fator que expressa ascensão e status social, já que vive-se uma sociedade extremamente hierarquizada. Sob esse viés, muitos cidadãos são pegos nessa ilusão capitalista, levando à valorização exagerada do carro, o que culmina em mais carros nas malhas rodoviárias que, segundo o Observatório das Metrópoles, duplicou seu número na última década. Dessa maneira, enquanto esse situação for a regra, a locomobilidade urbana não será uma opção.
Nessa perspectiva, portanto, é mister que haja a obliteração da crescente crise da mobilidade urbana no Brasil. Para isso, cabe ao Governo Federal, na figura do Ministério das Cidades, promover a diversificação de modais de transporte, por intermédio de investimentos voltados para a construção e aprimoração das linhas de trens, portos para navios, assim como mais aeroportos, a fim de que seja tirado o estresse sobre o rodoviarismo, aumentando a mobilidade urbana. Ademais, o Estado, junto ao Ministério do Transporte, deve diminuir a dependência e valorização do carro, por meio da aplicação monetária voltadas a estruturação e ao conforto de outros modais, com o intuito de fomentar a diminuição de carros, garantindo maior flexibilidade urbana. Feito isso, garantir-se-á que a evolução promovida pela Segunda Revolução Industrial tenha somente frutos positivos.