A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 06/06/2020
A Terceira Revolução Industrial, ocorrida no século XX, proporcionou a invenção do motor a explosão e a descoberta do uso do petróleo como combustível. Com isso, a fabricação em massa de automóveis favoreceu o surgimento de uma crise na mobilidade urbana brasileira, tendo em vista os fatores logísticos e empresariais existentes. Diante disso, a supremacia do transporte rodoviário na economia do país e a infraestrutura deficitária dos veículos públicos contribuem para a persistência da problemática.
É importante ressaltar, em um primeiro plano, a predominância do deslocamento de cargas por vias terrestres. Juscelino Kubitschek, presidente do Brasil na segunda metade do século XX, instituiu o Plano de Metas, o qual objetivava o progresso de 50 anos em apenas 5. Para alcançar esse efeito, Juscelino investiu no transporte rodoviário, devido à praticidade e aos baixos custos iniciais. Sob essa ótica, nota-se que o país mantém essa herança histórica, visto que a entrega de mercadorias é realizada, majoritariamente, por caminhões. Desse modo, o intenso fluxo desses veículos pesados intensifica o trânsito nas cidades, o que ocasiona o desgaste físico e psicológico das pessoas que vivenciam essa realidade diariamente.
Ademais, vale destacar a qualidade precária dos transportes coletivos. Segundo dados de uma pesquisa feita pelo IBOPE, mais de 80% dos entrevistados optariam pelos meios de locomoção públicos se os serviços ofertados fossem satisfatórios. Nesse sentido, nota-se que as empresas de ônibus priorizam o lucro máximo em detrimento do conforto dos passageiros. Dessa maneira, a ausência de leis que exijam o cumprimento de critérios para a circulação desses automóveis justifica a preferência dos indivíduos pela a utilização de veículos particulares.
Portanto, é imprescindível a adoção de medidas a fim de mitigar o quadro atual. Para tanto, cabe aos estados brasileiros, por meio de verbas governamentais, implantar - de forma gradativa - o transporte multimodal no país, com o objetivo de reduzir o congestionamento urbano. Tal ação deverá ser executada, sobretudo, nas capitais, haja vista que essas cidades concentram a maior parte da população do estado. Concomitantemente, o Poder Legislativo deve, mediante a elaboração de leis, estabelecer parâmetros - estruturais e operacionais - às companhias de ônibus para a permissão das suas atividades, com a finalidade de manter o controle de qualidade dos serviços prestados. Assim, o Brasil contornará a crise na mobilidade urbana.