A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 12/03/2020
Fundamental para o avanço do processo produtivo do Brasil,o Fordismo possibilitou uma nova forma do pensar capitalista.Nesse contexto,instaurou-se um modelo de produção automobilística em massa,que apesar de ter sido representante do sucesso econômico,colaborou com a crescente crise da mobilidade urbana no Brasil.Fato este ligado diretamente não só a cultura estabelecida,mas também a evidente falha estrutural,das quais constituem desafios que urgem medidas e mudanças no contexto socioespacial.
Em primeira instância,observa-se que a migração pendular-caracterizada pelo deslocamento temporário dos trabalhadores-iniciada com maior índice a partir da Revolução Industrial,constituiu-se um fenômeno presente na vida dos indivíduos.Em razão disso,essa necessidade de locomoção no espaço foi sustentada pelo uso do automóvel,fato este oriundo do papel da Indústria Cultural.Ou seja,visando o consumo em massa,bem como o lucro,os processos de produção buscaram ferramentas que manipulassem e padronizassem o modo de vida das metrópoles.Logo,nasce a cultura de que a forma mais prática de se mover é por meio de veículos privados,dado este responsável pelo revés da mobilidade urbana.
Consequentemente,torna-se notório que esse estímulo social cooperou diretamente com o inchaço urbano atual.Não obstante,representa o descumprimento da Constituição Federal em seu artigo 5°,a qual assegura o direito de ir e vir do cidadão.Em outras palavras,infere-se o desafio do Governo em lidar com a mutabilidade diária da população brasileira.De maneira que inegavelmente exista uma grande falha estrutural caracterizada pela baixa qualidade não só de serviços de transportes alternativos,mas também pela desorganização do processo de urbanização;circunstâncias essas responsáveis pela preferência do indivíduo em empregar-se de veículos individuais.
Tendo em vista os aspectos mencionados,é dever do Poder Executivo atrelado ao Ministério Público garantir investimentos direcionados ao progresso urbanístico das cidades.De modo que,se forneça em conjunto metas de humanização do espaço urbano,com estruturas-transportes e ambientes-que busquem influenciar o seu uso pelo corpo coletivo,que tenderá a enxergar outros meios de locomoções além dos automóveis.Dessa forma,se efetuará na diminuição gradativa da crise da mobilidade urbana no país.