A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 12/03/2020

No período em que Juscelino Kubitschek assumiu a presidência, o Brasil teve sua política industrial aberta ao mercado externo, o que gerou a implementação massiva de multinacionais do ramo  automobilístico em território nacional. Por consequência, houve um aumento significativo no consumo de automóveis pela população na década de 1960, haja vista que o governo da época priorizou o modelo de transporte rodoviário, de modo a originar consequências socioambientais alarmantes que perduram até a contemporaneidade. Com efeito, é nítido que a “rodoviarização” brasileira fomentou a crise na mobilidade urbana brasileira , ora pela negligência do Poder Público, ora por problemas de ordem histórico-cultural, fazendo-se mister expor e viabilizar medidas para mitigar esse quadro.

Em primeira análise, é imperativo pontuar que a falta de incentivos públicos em transportes coletivos para a manutenção e para o bom funcionamento destes agrava a crescente crise na mobilidade urbana do país. Dessa forma, a péssima qualidade e os preços oscilantes desses modais diminuem a credibilidade deles na sociedade, o que leva muitos indivíduos a optarem por um carro individual. Por consequência, congestionamentos nas rodovias, acidentes de trânsito e poluição ambiental fazem-se fatores cada vez mais presentes no cotidiano. Assim, é substancial que haja uma maior atuação do Poder Público para reverter esse cenário caótico.

Outrossim, é lícito postular que razões históricas e culturais fomentam a ininterrupta crise na mobilidade urbana. Nesse viés, o significado de possuir um veículo automóvel ainda indica sinônimo de “status social”, independentemente da renda e da classe social dos indivíduos. Como resultado, a cultura do consumo de carros, presente desde a década de 1960, perdura até a contemporaneidade e tal fato pode ser analisado a partir do conceito denominado “fetichismo de mercadoria” - idealizado pelo economista Karl Marx - que afirma que os objetos passam a ter valor psicológico e interferem nas relações sociais, uma vez que as pessoas acreditam que estes têm importância intrínseca. Logo, é essencial que mudanças comportamentais sejam realizadas para alterar essa conjuntura.

Em síntese, é de extrema valia viabilizar propostas para que a mobilidade urbana seja mais promissora. Portanto, cabe ao Governo Federal, por meio de verbas públicas, realizar investimentos mais expressivos em manutenção e em qualidade dos transporte públicos, bem como adotar uma política de preços mais estável, visando aumentar a credibilidade desses modais e o uso deles na sociedade. Ademais,as empresas devem utilizar a prática de “home office”, a fim de reduzir a demanda social por transportes individuais e os engarrafamentos nas rodovias. Assim, atenuar-se-á gradativamente esse panorama urbanístico marcado por instabilidades.