A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 18/03/2020

Em 1956, o presidente vigente Juscelino Kubitschek iniciou uma política desenvolvimentista chamada “Plano de Metas”, que consistia em acelerar o progresso do Brasil. Em vista disso, Kubitschek fomentou a indústria automobilística concomitante a construção de rodovias transregionais, de tal forma, que cinquenta e nove anos após o seu mandato é possível notar a predominância do transporte rodoviário, bem como a dependência exagerada do automóvel pelos brasileiros, de maneira que, hodiernamente, culmina em uma crescente crise de mobilidade urbana.

A priori, é imperioso destacar a ocupação desordenada e acelerada que se deu nos grandes centros urbanos durante a gestão de Kubitschek. Sob o estímulo à indústria, milhares de nordestinos migraram para as metrópoles e se estabeleceram nas periferias. Indubitavelmente, a reprodução desse modelo migratório nas cidades ocasionou o atual paradoxo brasileiro em que o amparo à mobilidade não acompanha o crescimento urbano.

Ademais, segundo a Folha de São Paulo, a previsão para o crescimento de vendas de veículos novos no país em 2020 é de 9,6% em relação a 2019, dado que confirma a dependência automotiva do brasileiro e reafirma uma cultura automotiva nacional, na qual o cidadão privilegia o transporte individual em detrimento do coletivo, de modo a desencadear congestionamentos nas vias urbanas e aumento na emissão de gases poluentes e do deslocamento.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para melhorar o quadro atual. Para que haja diminuição da crescente crise da mobilidade urbana no Brasil, urge que o Ministério do Transporte promova melhorias, como adoção do Bus Rapid Transit (BRT) em todas as metrópoles brasileiras, por meio de licitações e incentivem o uso do transporte público, por meio de propagandas televisivas e outdoors em vias urbanas. Nessa conjuntura, mitigar progressivamente o legado de Kubitschek – a cultura automotiva, e consequentemente atenuar, tanto a emissão de gases poluentes, como os congestionamentos.