A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 17/03/2020

Hodiernamente, o mercado automobilístico brasileiro está em ascensão. Segundo o G1, no ano de 2019, cresceu em 23% o número de vendas de automóveis em todo o País em relação a 2018, o que corresponde a, aproximadamente, um carro a cada quatro habitantes. A quantidade excessiva de veículos é causada, principalmente, pela péssima estrutura dos transportes públicos e pela inflexibilidade da jornada de trabalho dos brasileiros, o que configura a mobilidade urbana como sendo um dos maiores desafios enfrentados pelo País.

Ao fazer uso de transportes públicos, se economiza bem mais que usar um carro, além dos benefícios que essa atitude traz para o meio ambiente, porém, mesmo estando cientes disso, muitos trabalhadores optam por utilizar veículos particulares. Esta escolha está diretamente ligada à lotação e à falta de segurança dentro dos coletivos. A população pensa duas vezes antes de escolher o ônibus como seu meio de deslocamento, visto que a situação dentro deles é precária, principalmente nos chamados “horários de pico”, quando o número de passageiros é exorbitante e os índices de assaltos são ainda maiores em relação aos outros horários.

Ademais, o fato de a jornada de trabalho no Brasil ainda ser bastante inflexível, todos os trabalhadores são obrigados a chegar no horário previsto que, na maioria das vezes, é o mesmo para todos os locais de trabalho, o que se torna um caos quando se trata de mobilidade, principalmente para os trabalhadores que dependem de transportes coletivos. Situação que se difere de alguns países do mundo, como a Alemanha, que flexibiliza a hora de chegada dos trabalhadores, dando a eles a oportunidade de escolher seu horário de trabalho, importando apenas que cumpram a carga horária destinada para o dia. Desta forma, o número de pessoas que utilizam os ônibus é bem dividido, o que evita grandes aglomerações em apenas um horário específico e não traz prejuízos para os “patrões”.

Destarte, tomando a Alemanha como exemplo, é necessário que as empresas e outros locais de trabalho permitam a flexibilização dos horários, disponibilizando opções no tempo para a entrada e, consequentemente, para a saída dos trabalhadores, com o fito de dar mais liberdade e diminuir consideravelmente a lotação nos transportes públicos e na circulação de pessoas nas cidades ao mesmo tempo. Além disso, as empresas de transportes coletivos precisam investir na melhora da qualidade e também na quantidade dos veículos utilizados, para que as pessoas vejam o transporte público como a melhor forma de locomoção. Com isso, essas atitudes teriam reflexos positivos e muito eficientes na melhora da mobilidade urbana do País.