A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 31/03/2020

Foi durante a República populista, em 1956, que Juscelino Kubitschek promoveu a construção e a melhoria de rodovias no território nacional, sendo essa uma forma de incentivar a instalação de empresas automobilísticas no Brasil. Assim,devido a isso, o desenvolvimento de JK acarretou um processo desordenado de urbanização no país, o qual é responsável pela atual crise na mobilidade urbana que,por causa da consolidação de uma cultura consumista, está gradativamente crescendo.

Em princípio, com ascensão da revolução industrial ocorreu um intenso êxodo rural e, como consequência, a superlotação dos centros urbanos. Consoante a isso, como apontado pelo psicólogo Jacob Pinheiro, o homem trata os espaços públicos como lugares a serem ocupados por quem chegou primeiro. Nesse sentido, a euforia pela oferta de empregos dentro das fábricas sucedeu por uma demasiada ocupação da cidade por pessoas que buscavam melhores condições de vida, originando, assim, uma macrocefalia urbana - fenômeno em que a população é maior que a estrutura existente - o que gera problemas, como o congestionamento, a segregação e a falta de alimento para todos.

Outrossim, o aumento do volume do tráfego é um reflexo do consumismo, uma vez que os veículos tornaram-se símbolos de ascensão social. Por conseguinte, segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, homem contemporâneo associa o ato de adquirir bens como essencial para a sua existência. Nessa perspectiva, tal pensamento se manifesta em uma hodierna cultura de que ter carro é uma forma de distinção social, dentro de uma sociedade estratificada e hierarquizada, resultando em uma baixa eficiência no uso dos espaços urbanos. Desse modo, essa ineficiência é comprovada pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran) em que foram estimados mais de seis milhões de automóveis em São Paulo.

Destarte, é mister que o Poder Legislativo, em parceria com o Ministério da Infraestrutura, elabore projetos de leis para desestimular o uso de veículos individuais, que causam um alto volume no tráfego, podendo incentivar, assim, a utilização dos transportes coletivos, a fim de facilitar a mobilidade urbana. Isso pode ser realizado mediante o dinheiro lucrado com o PIB (Produto Interno Bruto). Dessa forma, será garantido o aproveitamento de todos os investimentos em rodovias realizados pelo governo de Juscelino.