A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 26/03/2020
Na obra “Crítica e crise”, o sociólogo Reinhart Koselleck evidencia a crescente crise estrutural dos grandes centros urbanos com base nas relações entre ideia de progresso e formação dos espaços públicos e privados. Nesse contexto, a importância da conscientização do uso de transporte compartilhado e do planejamento precisam ser discutidas a fim de reduzir a crescente crise na mobilidade urbana no Brasil.
A princípio, a obra faz alusão a John Dewey, filósofo precursor do pragmatismo, que defende o desempenho do conhecimento pelo êxito prático, ou seja, as instituições de ensino podem discutir em sala de aula temas relacionados à mobilidade urbana a fim de formar cidadãos mais conscientes em relação à importância dos transportes compartilhados. Segundo dados do último censo do IBGE, divulgado no portal eletrônico do Ministério do Desenvolvimento Regional, o aumento da frota de veículos automotores dobrou na última década, fazendo com que os congestionamentos ficassem mais frequentes.
Outrossim, sob a perspectiva de Achim Steiner, chefe do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), esse colapso das infraestruturas urbanas é consequência da engrenagem socioeconômica expansiva da atual sociedade. No último encontro das Nações Unidas, Steiner afirmou que isso ocorre devido a atual economia de mercado que tende a atrair pessoas para a zona urbana, assim, quando essa migração acontece de forma não planejada e de maneira abrupta, a infraestrutura das cidades tendem a não acompanhar o crescimento demográfico.
Portanto, é necessário que o governo, mediante parcerias público-privadas com empresas de fretamento, desenvolva serviços de compartilhamento de transporte economicamente acessível à população a fim de reduzir o número de carros em circulação. Ademais, o Estado deve, por meio das redes socais, promover discussões sobre o uso alternativo de carros com o propósito de melhorar a mobilidade urbana e atenuar a problemática outrora explanada por Koselleck na obra “Crítica e crise”.