A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 06/04/2020

Júlio Cortázar, escritor argentino, redigiu um conto a qual se passava no trânsito de uma metrópole, o protagonista, engenheiro Daniel, ficou estático no engarrafamento que parecia ser perpétuo. Apesar de ter sido escrito na década de 1960, ainda percebe o caráter atual dessa narrativa, pois assemelha-se a situação vigente em algumas cidades brasileiras. Nesse sentido, questões sobre a mobilidade urbana devem ser postas em vigor a fim de compreender essa problemática contemporânea.

Em primeira analise, a regência do  ir e vir nas urbes é a carrocracia, isso é, as cidades brasileiras são construídas de modo a favorecer os carros em detrimento dos pedestres e outros modais. Esse fato advém da rápida urbanização e modernização vivenciada na década 1950, já que o presidente Juscelino Kubitschek, favoreceu o modelo rodoviário, bem como, às indústrias automobilísticas. Essa atitude prorrogou até a atualidade em que investimentos para diversificar as tipologias dos modais de transportes não são feitas com veemência o que acarreta engarrafamentos, análogo ao exposto por Júlio Cortázar. Devido à isso, não somente pessoas, com também, mercadorias, possuem dificuldades para o deslocamento contrapondo ao conceito de mobilidade.

Em segundo plano, a ineficácia dos transportes públicos nas metrópoles é perceptível. No aspecto da arte de representação, a música de Wilson Batista, O Bonde de São Januário, retrata as superlotações dos bondes daquela época os quais  trabalhadores de regiões marginalizadas utilizavam. Embora o principal meio de transporte empregue pela população ter mudado, a problemática é semelhante. Observa-se que os meios de locomoção coletivo à longa distância mais utilizado é o ônibus e o metrô, todavia esses não suportam a demanda, sobretudo em horários de pico. Além disso, para utiliza-los é custoso, tais fatores, em conjunto,  estimula a compra de veículos individuais e debilita o uso do coletivo. Essa situação contrasta ao vivenciado em outras cidades, por exemplo, Londres, que os transportes públicos atende a demanda, bem como, conta com intermodalidade com apenas o custo de uma passagem, logo, tais exemplos devem ser considerados à implantação nas cidades brasileiras.

Vê-se, portanto, que a mobilidade urbana ainda é um entrave e, por isso, é necessário medidas mitigadoras. Dessa forma, o Poder Executivo, em conjunto: ordem federativa, estado e municípios, que tem como função promover o bem-estar social, devem investir na diversificação de modais de transportes; como a criação intensiva, a longo prazo, de ferrovias e ,a médio prazo de ciclovias e calçadas. Tais investimentos,será feito por meio do desvio de impostos pagos por usuários de veículos individuais, concomitante a isso, será a criação do bilhete único, que dará acesso à multimodalidade. Essas aplicações viabilizará a qualidade do fluxo de pessoas e mercadorias nas metrópoles brasileiras.