A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 31/03/2020
Segundo o Departamento Nacional de Trânsito (DENATRAN), em 2012, já havia mais de 70 milhões de automóveis individuais, divididos entre carros e motos. Entretanto, considerando o hodierno contexto brasileiro, observa-se que o direito de ir e vir, garantido pelo Constituição Federal de 1988, tornou-se comprometido devido aos desafios relacionados à mobilidade urbana, causando uma crescente crise nesse setor. Dessa forma, é imprescindível analisar as causas que colaboram para a eclosão de tal impasse, sendo uma destas, a inoperância do Estado perante os transportes públicos , gerando, por conseguinte, uma exaltação do automóvel particular como um bem fornecedor de “status” social.
Primeiramente, é importante mencionar a ineficácia do Estado em relação aos veículos coletivos, a qual provoca, por muitas vezes, o sucateamento desses meios de locomoção. Nesse contexto, muitos cidadãos optam por não utilizá-los, haja vista que ataques à integridade física e moral das pessoas , como assaltos e assédios, tornam-se comuns diante dessa realidade. Como consequência, esse exposto se evidenciou em 2017, o qual, somente em Fortaleza, ocorreram mais de 2000 roubos em ônibus públicos, de acordo com dados divulgados pelo G1. Dessa maneira, o corpo social como um todo se torna refém da falta de investimentos em transportes coletivos, necessitando, pois, de medidas alteradoras desse quadro.
Por conseguinte, o veículo privado se configura como um privilégio, fazendo com que a grande parcela da população tenha o desejo de possuir esse automóvel. Sob essa perspectiva, herdada pelo Governo de Juscelino Kubitschek que promoveu, mediante a investimentos, a expansão da indústria automobilística, foi criada a “cultura do carro”, a qual determina uma condição social e econômica favorável perante sua conjuntura, fomentando, ainda mais, o desejo de possuir tal produto. Sendo assim, congestionamentos e acidentes se modificam como contratempos cotidianos em nossa atual sociedade, ferindo, consequentemente, os direitos garantidos pela Constituição Federal.
Destarte, percebe-se os desafios relacionados à mobilidade urbana no Brasil. Dito isso, urge que, por meio da elaboração de políticas públicas, o Governo Federal, em parceria com as prefeituras, mobilize verbas para a reforma dos transportes coletivos, as quais garantam uma estrutura adequada de atendimento a todos os cidadãos, a fim de que a ideia de “privilégio” por ter carro, ou quaisquer outros automóveis individuais, seja, então, barrada e que todos vejam o transporte público como uma boa alternativa de locomoção. Com essas medidas, a crise da mobilidade deixará de ser um grande desafio para a sociedade brasileira.