A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 03/04/2020
Na década de 50, o Brasil vivia a política desenvolvimentista liderada pelo então presidente JK, o qual tinha como lema “50 anos em 5”. Tal fato, possibilitou o crescimento de ferrovias e a consequente utilização do automóvel como sinônimos do progresso. Com isso, o processo de urbanização mal planejado contribuiu para o crescimento rápido e desordenado das grandes cidades, desencadeando problemas na mobilidade urbana, como por exemplo, o aumento da frota de carros, além da quase exclusão de acesso à mobilidade por parte de determinados grupos sociais.
Com o aumento no número de pessoas que passaram a viver nas grandes cidades, a frota de carros em circulação cresceu mais de 400 por cento, no período de 2006 a 2016, segundo dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Tal fenômeno compromete a qualidade de vida dos brasileiros, já que em capitais como São Paulo, por exemplo, o tempo médio de deslocamento de casa ao trabalho pode chegar a 42,8 minutos. Isso acarreta aos indivíduos, entre outros problemas, prejuízos de ordem psicológica, como o aparecimento de crises de estresse, ansiedade, síndrome do pânico. Além do mais, o uso individual do automóvel só contribui para o aumento desenfreado da emissão de gases tóxicos na atmosfera, o que acaba acelerando fenômenos como o efeito estufa e ilhas de calor, os quais aceleram significativamente os danos ao meio ambiente.
Ao se fazer uma breve analogia ao sociólogo Émile Durkhein, o problema da crise de mobilidade urbana no país, pode ser entendido como um fato social a ser estudado, uma vez que exclui determinado grupo social, na medida em que o seu direito à mobilidade é violado. Isso pode ser constatado através das precárias condições de acessibilidade a que estão submetidos os cadeirantes, pois diariamente, os mesmos estão expostos aos diversos níveis de dificuladdes seja para se locomover em calçadas e ruas, ou ainda na utilização de transportes públicos, os quais são de má qualidade, consequências da falta de planejamento de políticas públicas.
Diante do exposto, urge a necessidade de alternativas de transportes mais ecológicas e inteligentes, além de melhor planejamento das cidades. Essas mudanças só serão possíveis com ações práticas promovidas pelo Ministério das Cidades e Transportes em conjunto com Estados, Municípios e sociedade. A promoção de fóruns, debates, palestras e programas públicos em prol da conscientização da população, sobre a garantia de da eficiência da mobilidade nos centros urbanos, devem estar embasadas, prioritariamente, na Política Nacional de Mobilidade Urbana (Lei 12587/12) a fim de privilegiar o deslocamento para todos, e com isso promover menores custos ambientais, sociais e econômicos, como alternativa de minimizar os danos já decorrentes da crise de mobilidade urbana.