A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 07/04/2020
Engajamento popular. Essa é a melhor ação a ser desenvolvida por todos os brasileiros, a fim de conter a crescente crise na mobilidade urbana. Entretanto, tal prática não tem atingido seus objetivos devido às culturas atribuídas à sociedade brasileira e à falibilidade estatal. Destarte, é irrefutável que ocorra uma alteração do comportamento letárgico vigente do corpo coletivo e uma remodelação dos projetos midiáticos e governamentais, com o intuito de desconstruir esse contexto áspero.
Nesse sentido, a atual crise na mobilidade urbana brasileira é uma consequência direta da alienação social imposta durante o governo de Juscelino Kubitschek. Tal período foi marcado pelo desejo do Estado de estimular o crescimento da indústria automobilística brasileira, que, para isso, utilizou a mídia para atribuir uma sensação de prosperidade e status social à aquisição de automóveis. Sob esse viés ideológico, percebe-se a pertinência de tal hipótese na compreensão da atual conjuntura brasileira, na qual uma parcela dos sujeitos comporta-se apática diante de questões que lesam o próprio tecido social - como a crescente imobilidade urbana, porquanto desconhece a influência de tais valores na problemática em questão. Desse modo, verifica-se a necessidade de ações urgentes e afirmativas para mitigar esses paradigmas que precedem regressões societárias.
Outrossim, constata-se que, a princípio, a Constituição Cidadã assegura aos indivíduos multíplices direitos sociais e fundamentais. Não obstante, na prática, ao analisar a imobilidade urbana no Brasil, percebe-se a concretização do conceito de “Cidadania de papel”, proposto pelo jornalista brasileiro Gilberto Dimenstein. Tal ótica deduz que, embora o Brasil apresente leis consistentes que abrangem diversos setores, elas se limitam ao plano teórico - como o direito social à mobilidade urbana, que, ao não ser plenamente exercido na prática, tem como consequências o inchaço de veículos nas vias brasileiras e a precária locomobilidade da população. Em síntese, entende-se que o Poder Público, por assistir inerte ao agravamento da problemática, contribui para a perpetuação desse contexto caótico.
Urgem, portanto, ações sinérgicas entre os atores sociais, com o intuito de conter a crescente crise na mobilidade urbana brasileira. Para tanto, a mídia - principal canal de comunicação hodierno - deve estabelecer campanhas que, por meio de amplas divulgações, instruam a população acerca dos benefícios da utilização dos transportes públicos coletivos, a fim de superar a cultura maléfica supracitada. Ademais, compete ao Governo otimizar a infraestrutura rodoviária do Brasil, por intermédio de projetos de construção e ampliação das vias mais movimentadas do país, com o escopo de garantir a locomobilidade dos indivíduos. Por fim, tais ações sociais serão o início de uma era na qual a sociedade, dotada de engajamento popular e apoio governamental, possa progredir faustosamente.