A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 07/04/2020
De acordo com o filósofo grego Platão, em seu livro ‘‘A República’’, os indivíduos deveriam viver com sabedoria e com justiça, o que favoreceria a contemplação da necessidade de todos e destituiria as desigualdades sociais.Contudo, na contemporaneidade, a dificuldade em lidar com a crise de mobilidade tem contrariado o raciocínio do antigo pensador, já que a integridade de muitos cidadãos tem sido violada por atos deliberados e imorais.Dito isso, a questão cultural e a ineficiência das medidas públicas são pontos que valem ser destacados no Brasil.
Diante desse cenário, é válido ressaltar, inicialmente, que a crise de mobilidade social reflete aos paradigmas vivenciados pela população em um determinado período histórico.Sobre isso, o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, em seu livro ‘‘Raízes do Brasil’’, relatou que os indivíduos se relacionam de acordo com uma cultura local.Nesse viés, o sedentarismo e o desenvolvimento das fábricas automobilísticas, consolidados na 2° fase da Revolução Industrial, têm alimentado costumes que contradizem o ideal de mobilidade e de bem-estar das pessoas, já que o individualismo do transporte brasileiro, como o uso de carros e de motocicletas, tem superlotado as vias públicas e inibido qualquer garantia de comodidade nas relações interpessoais.Tal contexto demonstra, por conseguinte, um quadro de caos que precisa ser combatido, uma vez que, segundo o Ministério da Saúde, mais de 10% dos problemas respiratórios são decorrentes da poluição atmosférica.
Além disso, a carência de medidas públicas eficazes justifica, de certa forma, a crise de mobilidade social.Isso ocorre porque, conforme o escritor José Saramago, em seu livro ‘‘Ensaio sobre a cegueira’’, há uma ‘‘cegueira moral’’ na conduta de muitas pessoas, a qual impede a valorização dos interesses benéficos à coletividade.Nesse sentido, a negligência estatal no que tange aos investimentos no setor de transporte coletivo bem como a baixa qualidade das vias transitáveis têm evidenciado a incapacidade dos órgãos públicos, vigente desde o período colonial, de denotar equilíbrio e harmonia para os seus cidadãos, o que expõe um tabu a ser ultrapassado.Não é de estranhar, portanto, que os acidentes e os engarrafamentos sejam recorrentes nas grandes cidades do país, como São Paulo.
Desse modo, a crise de mobilidade é um imbróglio que precisa ser minimizado. Assim, o Estado, para contornar a superlotação do trânsito nacional, deve investir no setor de transporte, por meio da ampliação da frota de ônibus público e do aumento da rede ferroviária.Ademais, a Mídia, com seu caráter persuasivo, deve conscientizar a população sobre a importância dos meios alternativos, como bicicletas, para o fim dos problemas de mobilidade, por intermédio de campanhas nas rede sociais, com o fito de equilibrar as relações interpessoais.Dessa forma, a justiça platônica será efetivada.