A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 10/04/2020
No Brasil, a Política Nacional de Mobilidade Urbana exige um planejamento nos grandes municípios que priorize o sistema de transporte público coletivo e o não motorizado. Porém, a locomoção diária ainda é muito deficitária na realidade brasileira, visto que se mostra como um obstáculo na qualidade de vida da população e no crescimento das cidades, assim como atesta uma displicência nas ações governamentais acompanhada de uma mentalidade social problemática.
Efetivamente, a rede de transporte brasileira fica cada vez mais debilitada, devido à pouca adoção governamental de meios de transporte alternativos e que possam aliviar o intenso tráfego urbano. Esse escasso investimento em diferentes modais, como o aquaviário, a título de ilustração, que se adaptaria bem no extenso litoral brasileiro, se alia com o precário sistema de transporte coletivo em diversas regiões do país, o que causa o aumento do número de carros nas ruas, intensificando engarrafamentos, além de prejudicar a parcela da população que depende do serviço público. Essa situação revela a necessidade de ações governamentais mais contundentes a fim de garantir a mobilidade da população como um todo.
Ademais, a sociedade não se mostra colaboradora desses avanços por meio de reivindicações ou mudanças de hábitos negativos. Isso se deve à forma que o sistema de transportes se desenvolveu, por exemplo, na visão de evoluir “50 anos em 5” de Juscelino Kubitschek, que trouxe um crescimento urbano acelerado sem valorizar o planejamento. Assim, a mentalidade popular foi criada em contexto de desordem e sob a perspectiva de que o trânsito é uma competição, e vencê-lo é mais importante do que obedecer às leis e pensar também nos outros motoristas, dinâmica que só intensifica os problemas já presentes no sistema.
Portanto, compete ao Governo Federal a intensificação de investimentos na qualidade dos transportes públicos, por meio da melhora da distribuição dos veículos e rodovias, junto à adoção de modais que descongestionem as cidades, como metrôs e aquavias, a fim de tornar a mobilidade eficiente e acessível para todos. Além disso, a população deve pressionar tais ações governamentais, por meio das redes sociais e protesto pacíficos, que alcançam largo público, tendo o objetivo de conscientizar motoristas sobre segurança e respeito no trânsito e receber políticas públicas contundentes.