A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 11/04/2020

Evidentemente, a crise na mobilidade urbana brasileira mostra-se tanto um obstáculo imediato aos cidadãos que desejam deslocar-se livremente, quanto um problema de caráter ambiental, haja vista que contribui para a emissão de gases prejudiciais ao planeta. Assim sendo, cabe destacar que essa problemática assenta-se sobre dois dos grandes problemas da dinâmica social: desorganização espacial e e transporte coletivo insatisfatório.

Em primeira análise, segundo o filósofo Georg Hegel, a realidade é um processo histórico. Posto isso, a gênese da organização espacial urbana brasileira estruturou-se desordenadamente sobre uma industrialização tardia, êxodo rural acentuado, e resignação da massa trabalhadora do século XX às áreas periféricas das grandes cidades, necessitando de transporte aos trabalhos localizados nas zonas centrais. Com efeito, a administração pública negligenciou a melhoria no transporte público coletivo, ao passo que, nos últimos anos, incentivou o consumo de carros populares, o que não foi acompanhado por uma política de mobilidade urbana.

Como resultado, a massificação do transporte coletivo gerou nos cidadãos contemporâneos descontentamentos relacionados à lotação e baixa qualidade do serviço prestado. Nesse sentido, uma pesquisa feita pelo IBOPE mostra que 83% dos entrevistados deixariam de usar o automóvel como modo primário de transporte caso houvesse transporte público satisfatório. Além disso, sabe-se que o uso de transporte individual em vez de coletivo resulta em mais emissão efetiva de gases poluentes e congestionamentos recorrentes, interferentes na fluidez do trânsito. Destarte, segundo Organização Mundial da Saúde, a questão do transporte coletivo é uma questão de saúde pública, uma vez que o transporte eficiente diminuiria o número de carros nas cidades, os índices de poluição, acidentes, entre outros.

Por fim, sabendo dos benefícios da melhoria do transporte público e sabendo também que o lema da bandeira brasileira intitula-se como “ordem e progresso”, cabe aos Poderes Legislativo e Executivo a implementação e execução de leis que visem a melhoria do transporte público, como passagens baratas, ônibus novos e bem estruturados e melhores estações de metrô. Além disso, a Mídia, em parceria com estes, poderia incentivar, por meios tradicionais de comunicação, o uso de transporte coletivo pela população. Assim feito, estaremos a caminho do progresso prometido pela ordem.