A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 12/04/2020
O Governo Juscelino Kubitschek vivido entre 1956 e 1961 foi marcado pelo plano de ação “Cinquenta anos em cinco”, o ideal era trazer ao Brasil o desenvolvimento econômico e social. A exemplo disso tem-se o incremento de rodovias por todo país e o incentivo a carros próprios, por ser o modelo mais rápido e barato no momento. Entretanto, de modo discrepante, atualmente o país arca com as consequências desse projeto, já que o principal modal de transporte em um território tão extenso como o Brasil é o rodoviário e o próprio sistema de mobilidade implantado é precário e insuficiente. Nesse sentido, medidas são necessárias para conter e modificar o atual cenário.
Em primeiro lugar, a principal causa dos problemas de mobilidade urbana no Brasil relaciona-se ao aumento do uso de transportes individuais em detrimento da utilização de transportes coletivos. Esse fato deve-se tanto pelo incentivo à compra desses automóveis como as dificuldades relacionadas ao uso dos ônibus. Nesse contexto, o aumento do uso de veículos próprios como carros e motos deve-se, principalmente, segundo o Brasil Escola, à má qualidade do transporte público no Brasil; à redução de impostos por parte do Governo Federal sobre produtos industrializados (o que inclui os carros); à concessão de mais crédito ao consumidor e à herança histórica da política rodoviarista do país. Tudo isso provoca consequências negativas na sociedade, visto que há constantes congestionamentos nas cidades e aumento da poluição, provocando ilhas de calor e contribuindo para o aquecimento global.
Outro fator que ilustra esse cenário é a má qualidade dos transportes coletivos e os significativos aumentos dos preços com esse modal. Em 2013 o aumento da tarifa nas principais cidades do Brasil como Rio de Janeiro e São Paulo levou milhares de pessoas às ruas para grandes manifestações contra o governo e o aumento das taxas do coletivo. Nessa perspectiva, há uma indignação por parte da população quanto a péssima prestação do serviço público de transporte e o valor injusto que não é equivalente a infraestrutura dos meios mais usados como os ônibus e o metrô. Desse modo, é importante melhorar todo o sistema de transportes e investir na multimodalidade, principalmente no que tange ao uso de metrôs e ônibus.
Destarte, diante desse cenário fragilizado, é imprescindível que o Governo Federal, em conjunto com o Ministério da Infraestrutura, invistam na multimodalidade, por meio do incremento de mais ferrovias, ciclovias e uma melhor logística no trânsito das cidades, assim como um maior incentivo ao uso dos coletivos. Além disso, peças publicitárias estatais devem ser instauradas nas redes de televisão, orientando a população sobre os benefícios na saúde e redução do tempo gasto no trânsito por optar pelos transportes coletivos ou alternativos, como a bicicleta.