A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 12/04/2020

De acordo com a Constituição Federal de 1988, o transporte de qualidade é um direito social. Entretanto, na hodierna conjuntura brasileira, fatores como a precária infraestrutura de transportes coletivos e a aquisição de veículos individuais como forma de demonstrar status social impedem que esse direito seja alcançado.Dessa forma, medidas devem ser tomadas para amenizar essa problemática.

A priori, é importante ressaltar que, durante o governo Juscelino Kubitschek, houve investimentos em setores rodoviários, com o fito de atrair empresas estrangeiras automobilísticas. No entanto, concomitantemente, ocorreu um sucateamento dos outros modais, como o ferroviário, fato que dificulta o transporte coletivo de massa. Assim, essa precária estrutura é responsável pela subutilização de modais mais efetivos, visto que, conforme pesquisa do Ibope, mais de 80% dos entrevistados afirmam que utilizariam o transporte coletivo em detrimento do individual se houvesse condições adequadas para esse uso.

Outrossim, segundo Pierre Bordieu, boa parcela dos indivíduos tendem a consumir produtos por motivos de obtenção de prestígio social. Nessa ótica, um crescente número de pessoas compram automóveis sem haver necessidade, o que sobrecarrega o trânsito nas cidades e diminui o bem-estar social.Desse modo, percebe-se que o egocentrismo enraizado no corpo social brasileiro contribui negativamente para uma mobilidade urbana de qualidade.

Portanto, urge o que o Estado - responsável pela promoção do bem-estar social - invista em modais diversificados e de massa, por meio da ampliação e reformas  das linhas de metrô já existentes além da construção de faixas de ônibus exclusivas, a fim de aumentar o fluxo de pessoas que utilizam o transporte coletivo. Ademais, cabe a mídia televisiva- detentora de grande influência social- debater a temática em novelas de cadeia nacional, por intermédio de personagens  que não sejam movidos pela ambição por status, todavia pratiquem um consumo consciente e sejam usuários dos modais de massa, com o intuito de elucidar a população acerca da importância dessa prática e de diminuir o trafego nos grandes centros. Assim, o corpo social brasileiro, enfim terá assegurado o direito ao transporte digno.