A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 13/04/2020

Desde que Henry Ford desenvolveu o modelo de produção em massa de veículos com o “Ford T” o mundo nunca mais foi o mesmo. Na atualidade, todos os anos, o número de carros aumenta exponencialmente esgotando as estruturas viárias de quase todas as cidades do mundo e também gerando problemas como acidentes de trânsito, engarrafamentos e stress da população. Sendo um problema que está relacionado diretamente à realidade do Brasil seja pela negligência governamental, seja pela irresponsabilidade social.

A princípio, é incontestável que a inoperância governamental esteja entre as causas do problema. Poucas são as políticas públicas de incentivo à mobilidade urbana no país. Aliado a isso a estrutura precária dos transportes coletivos com ônibus quebrados e tarifas abusivas é outro fator determinante no aumento do uso de carros particulares. Nesse prisma, de acordo com o filósofo Johm Locke, configura-se uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função constitucional de proporcionar transporte de qualidade para a população. De certo isso se demonstra no número de carros vendidos no Brasil que dobrou nos últimos 10 anos segundo o jornal O Globo.

Outrossim, destaca-se a cultura do consumo exagerado de veículos da população, que muitas vezes, devido ao senso comum, não percebem o efeito “bola de neve” que é causado pelo excesso de automóveis nas ruas gerando engarrafamentos quilométricos. Isso é concordante com o pensamento de A. Schopenhauer de que os limites do campo da visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo que a cerca. Tal fato se reflete na grande quantidade de horas que é perdida no trânsito pelos brasileiros, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Opinião e Estatística - IBOPE os paulistanos passam cerca de 45 dias do ano no trânsito.

Diante desse cenário, é mister que o Estado amplie as políticas para melhoria do serviço de mobilidade urbana, através do desenvolvimento dos meios de transportes coletivos, com maior disponibilidade e melhor qualidade, a fim de aumentar a procura desse serviço em detrimento ao uso do carro particular. Além disso, as instituições educacionais devem desmotivar o uso excessivo do carro através de campanhas de conscientização vinculados nos principais meios de comunicação como TV e Internet, para que, gradativamente, os efeitos desencadeados pelo modelo de produção de Ford sejam minimizados.