A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 21/04/2020
O governo de Juscelino Kubitschek teve como característica a implementação de um sistema rodoviário em detrimento do ferroviário no país, essa estratégia teve como objetivos integrar o território brasileiro e industrializar o Brasil com base na formação de polos automobilísticos. Nesse contexto, houve grande influência no país, por parte das empresas que aqui se instalaram, de uma cultura econômica voltada a compra de automóveis, sendo estes, atualmente, relacionados não só à mobilidade urbana, como também, a símbolos de status social. Dessa forma, a sociedade de consumo voltada à compra de carros corrobora aos fatore agravantes da problemática da crise de mobilidade urbana brasileira.
A priori, o sociólogo francês Jean Baudrillard propõe a ideia de que as mercadorias não possuem apenas o valor de uso e de troca, mas, sobretudo, o valor simbólico, isto é, os objetos passam a decidir um referencial para as pessoas. Logo, a sociedade por meio de um sistema midiático, determina o valor que os produtos possuem, nos definindo por aquilo que consumimos. Nesse sentido, a mídia exerce papel indubitavelmente fundamental no exacerbado consumo automobilístico pelos brasileiros, fato expresso pelo portal de notícias G1, mostrando que, em 2019, cerca de 3 milhões de carros foram vendidos no país. Por certo, o valor simbólico que imprimimos aos bens materiais, assim como a ampliação de status social atrelada ao consumo, explica o alto número de vendas automobilísticas, contribuindo com a atual conjuntura.
Além disso, o demasiado número de carros, principalmente nos grandes centros urbanos, aliado a uma infraestrutura precária que não consegue disponibilizar uma mobilidade urbana efetiva traz como resultado diversos fatores que colaboram com a crise de forma prejudicial à sociedade. Logo, o excessivo despejo de gás carbônico na atmosfera, extremamente prejudicial ao meio ambiente, bem como, o tempo gasto para se locomover de um ponto a outro na cidade podendo refletir na economia com funcionários atrasados para o trabalho, por exemplo, e, ainda, o aumento do índice de acidentes, são aspectos dificultantes à contribuição para um espaço urbano harmônico. Dessa forma, o consumo desregrado de automóveis resulta em um ambiente hostil de mobilidade urbana, contribuindo para uma necessidade urgente de mudança desse cenário.
Em vista dos argumentos apresentados, é necessário que as Secretárias de Mobilidade Urbana de cada município unam-se a fim de propor uma lei que só permita a compra de novos carros através de justificativa ou após o minimo de 3 anos, por meio de um projeto entregue à Câmara dos Deputados. Espera-se, com isso, a diminuição do consumo automobilístico no país e da crise de mobilidade urbana.