A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 23/04/2020
Durante o governo de Juscelino Kubitschek, diversas reformas na infraestrutura brasileira de transporte foram realizadas e possibilitaram uma maior mobilidade em território nacional. Entretanto, devido à precariedade do setor público de transporte, essa mobilidade se encontra comprometida e vem gerando gerando problemas não só ao ambiente como também para a qualidade de vida urbana. Nesse sentido, evidencia-se a necessidade de mudanças no sistema de locomoção do país, possibilitando que tais problemas sejam controlados.
Primeiramente, é importante comentar o papel da situação decadente do transporte público para a manutenção da crise mencionada. A esse respeito, de acordo com pesquisas realizadas pela Conferencia Nacional da Industria (CNI), cerca de 40% dos brasileiros entrevistados concordam que os veículos públicos de locomoção se encontram em péssimo estado e são demasiadamente lentos. Sob tal óptica, muitos indivíduos optam pelo uso de veículos privados que, em grande quantidade, tendem a preencher as ruas e avenidas impedindo a locomoção. Essa problemática pode ser comprovada ao se observar o aumento de 85% na frota de automóveis no Brasil nos últimos dez anos e, devido ao sucateamento que gera nas vias públicas, deve ser remediada o quanto antes.
Ademais, vale ressaltar as consequências ao meio ambiente e à vida urbana que o impasse em questão pode causar. Acerca disso, baseando-se em pesquisas realizadas pela prefeitura de São Paulo, o tempo médio de travessia do centro da capital é próximo de duas horas. Durante esse período, centenas de veículos se encontram ligados e liberando toneladas de dióxido de carbono na atmosfera local. Tal ocorrência é um agente para a formação de microclimas de altas temperaturas, chamados ilhas de calor, no centro da cidade e colaboram para o aumento da temperatura terrestre mediante o efeito estufa. Considerando que o problema mencionado ocorre em diversos outros municípios brasileiros, este corrobora para sensações térmicas desagradáveis nas regiões mais urbanizadas e para a poluição atmosférica desregulada, necessitando urgentemente de medidas que o controlem.
Com base nos fatos discorridos, vê-se que melhorias no setor de locomoção brasileiro devem ser efetuados. Para tanto, o Ministério dos Transportes, em parceria com o Poder Executivo, deve, por meio de invertimentos no sistema de transporte público urbano, disponibilizar frotas de novos ônibus, com estrutura interna mais ergonômica, para os municípios que possuem maiores problemas de locomoção e, além disso, desenvolver mapas e trajetórias mais eficientes para para a atuação desses veículos. Dessa maneira, o sucateamento nas ruas e avenidas brasileiras será reduzido, assim como haverá a melhora da qualidade de vida do cidadão urbano e do ambiente regional.