A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 28/04/2020

A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 6, garante o direito social ao transporte a todos os cidadãos. Não obstante, no contexto nacional, grande parte da população não desfruta plenamente dessa faculdade pois é afetada pela crescente crise da mobilidade urbana, a qual é determinada por dois fatores primordiais: o subfinanciamento histórico dos modais coletivos e a supervalorização dos automóveis. Destarte, urgem análises desse cenário a fim de direcionar intervenções sociais.

Em primeira análise, é importante salientar que, ao longo da história, os transportes públicos coletivos foram negligenciados. Isso deve-se ao projeto desenvolvimentista do presidente Juscelino Kubitschek, na década de 50, no qual a indústria rodoviarista foi priorizada em detrimento dos investimentos na diversificação e na melhoria dos modais coletivos. A manutenção dessa lógica até a atualidade resulta na ma qualidade de deslocamento pelo perímetro urbano e na conseguinte queda da qualidade de vida da população, a qual tem de enfrentar, durante grandes períodos de tempo, ônibus e metrôs superlotados e desconfortáveis.

Além disso, a má qualidade dos transportes públicos estabelece uma sociedade “carrocrática”, isto é, a supervalorização dos carros pelos brasileiros. Nesse sentido, a utilização dos modais coletivos, em geral, é associada às classes sociais menos abastadas, o que agrega aos automóveis um significado de prestígio econômico. Como reflexo, tem-se a  procura demasiado por esses veículos e o aumento da frota de caros nas grandes cidades, com a ocorrência de  engarrafamento e acidentes.

Diante do exposto, torna-se notória a necessidade de ações direcionadas a mitigar a crônica problemática da mobilidade urbana. Para tanto, o Ministério das Cidades deve valorizar os modais coletivos, por meio do redirecionamento das verbas destinadas a subsidiar a indústria automobilística. Esse dinheiro deve ser repassado para estados e municípios, nos quais ônibus e metrôs serão modernizados e expandidos, a fim de atrair a população adepta dos carros e, assim, reduzir o trânsito.