A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 27/04/2020
O Jornal televisivo “Bom Dia São Paulo” apresenta quase que diariamente reportagens expondo a triste realidade do transporte público, demasiadamente lotado, e do trânsito de veículos, com muitos pontos de engarrafamento, na maior cidade do país. Embora trate de um local particular, esse contexto diz também sob o atual cenário organizacional do espaço urbano brasileiro, no que se refere à mobilidade, com uma construção desordenada e que privilegia o uso de automóveis particulares, gerando uma crescente crise.
A priori, é imperioso demonstrar como a infraestrutura para os modais nas cidades brasileiras é atrasada. Isso porque, segundo o geógrafo Milton Santos, o processo de globalização teve uma face perversa, onde os países imperialista fizeram das nações menos desenvolvidas, como o Brasil, seus quintais, usufruindo delas para o seu enriquecimento. Todavia, uma vez que o foco principal do erguimento do núcleo urbano nesses lugares explorados foi apenas a consolidação de mão de obra barata para o primeiro mundo, além da utilização de recursos naturais, e não o bem estar da população residente, o planejamento espacial ficou para o segundo plano e não acompanhou o crescimento demográfico da sociedade. Em virtude disso, hodiernamente, no que se refere aos seus limites políticos, muitos municípios brasileiros não tem mais para onde expandir e o desenvolvimento de novas malhas de transporte é prejudicado, senão impossível, não comportando todos os habitantes.
Somado a isso, os veículos automotivos particulares são fortemente favorecidos nas urbes brasileiras. Acerca disso, o jornalista Eduardo Galeano cria o conceito de automovelcracia, o qual revela a chamada ditadura do automóvel, dizendo que nas cidades os motores se tornaram uma verdadeira extensão do corpo, em virtude de uma forte propaganda. Desse modo, as cidades são também modeladas para privilegiar o tráfego de veículos particulares, o que ocasiona os constantes congestionamentos; enquanto que os transportes coletivos são pouco utilizados e apresentam uma frota reduzida. Portanto, evidencia-se que o crescimento desordenado das cidades e o incentivo ao uso de carros tem intima relação com a evolução da crise na motilidade urbana no Brasil.
Dessarte, cabe aos municípios brasileiros estimular o maior consumo dos meios de transporte coletivos. Isso pode ser feito com a ampliação de projetos de lei já existente em algumas administrações municipais, os quais estabelecem faixas exclusivas para a movimentação de ônibus, em determinados horários de tráfego excessivo. Essa proposta tem por finalidade fornecer a população vantagens na utilização dos modais públicos e, consequentemente, minimizar, as deficiências na mobilidade das cidades do país.