A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 30/04/2020

O modelo de produção Taylorista propõe a fabricação em larga escala dos automóveis nas indústrias. Nessa perspectiva, enormes estoques são criados, fazendo com que os empresários invistam em propagandas que incitem o consumismo dos consumidores, a fim de que aqueles não sejam prejudicados financeiramente. Dessa forma, esse fato contribui diretamente com o aumento da crise da mobilidade urbana brasileira, a qual é provocada também por conta da falta de investimentos governamentais nos transportes públicos e alternativos.

Em uma primeira análise, o sociólogo Zygmunt Bauman defende em sua obra ‘‘Modernidade Líquida’’ que o individualismo é um dos principais males da sociedade contemporânea. Nesse sentido, nota-se esse pensamento de Bauman presente no contexto social nos investimentos de empresários em indústrias tayloristas, os quais importam-se apenas com o lucro e em esvaziar os estoques para que esses possam ser preenchidos novamente, desconsiderando o aumento do tráfego de veículos nas ruas e consequentemente dos engarrafamentos, o que impacta diretamente na mobilidade urbana.

Outrossim, de acordo com o IBOPE, mais de 80% dos brasileiros trocariam seus veículos particulares pelos transportes públicos caso eles funcionassem da maneira adequada. Todavia, a grande maioria dos coletivos estão em condições precárias, somando-se a esse fator, inclui-se a grande violência presente nos ônibus e metrôs, com assaltos acontecendo diariamente. Desse modo, urge que o Governo contribua tanto com reforma desses transportes quanto com a segurança dentro deles. Ademais, faz-se necessário o investimento na construção de ciclovias, com o objetivo de melhorar o fluxo do trânsito, além de auxiliarem na redução da emissão de gases poluentes para a atmosfera.

À luz dos argumentos supracitados, depreende-se que a crise no setor mobilístico afeta a sociedade de um modo geral. Assim, o Governo juntamente com o Ministério da Infraestrutura devem financiar as reformas nos transportes coletivos, por meio de investimentos tanto na compra de novas peças quanto na segurança enquanto os veículos estiverem trafegando nas ruas, como colocando seguranças dentro deles, por exemplo, com o propósito da melhora da mobilidade urbana no país. Além disso, o Ministério da Economia deve incentivar os donos de empresas automobilísticas a investirem na produção por demanda, com o intuito de evitar que grandes estoques sejam formados.