A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 30/04/2020

No governo “50 anos em 5”,  Juscelino Kubitschek investiu na criação de rodoviais e avenidas, com o intuito de elevar o número de automóveis no Brasil, o que gerou um colapso na locomobilidade do país. Dessa maneira,  a progressiva crise na mobilidade urbana é um problema que afeta a qualidade de vida de incontáveis brasileiros, além de gerar impasses ambientais. Diante disso, deve-se analisar como o grande número de veículos particulares e a insuficiência dos transportes públicos contribuem para a permanência de tal problemática.

Em primeira análise, é indubitável que o saliente número de automóveis próprios causa esse problema. Isso porque, assim como foi evidenciado no governo “50 anos em 5”, o transporte particular foi incentivado em todo o Brasil e com isso o grande número de veículos está saturando a mobilidade urbana. Outrossim, o fenômeno de segregação social, que ocorre em várias cidades brasileiras, agrava a crise na mobilidade, tendo em vista que com o distanciamento da maioria da população dos grandes centros, o fluxo de automóveis é bem maior. Em suma, com o excessivo número de carros próprios, juntamente com a alta distância de locomoção da comunidade, o gradativo colapso na mobilidade urbana gera grandes impasses para a qualidade de vida da população.

Em segunda análise, a deficiência do transporte público também causa esse problema. Uma vez que, de acordo com o documentário “Bike vs Carros” , a locomobilidade pública na cidade de São Paulo é bastante precária, com elevados preços de transporte público e pouca segurança para os ciclistas. Sendo assim, a crise na mobilidade urbana se agrava, visto que sem alternativas viáveis e seguras o automóvel particular continua sendo a melhor opção para a população. Em decorrência disso, com o número de automóveis elevado os problemas ambientais como aquecimento global poderão se acentuar.

Torna-se evidente, portanto, que o excessivo número de carros próprios e a insuficiência dos transportes comunitários contribuem para a crescente crise na mobilidade urbana brasileira. Em razão disso, cabe a Mídia conscientizar a população acerca dos malefícios que o transporte particular, por meio de campanhas e projetos, que evidenciem como tal transporte pode prejudicar a mobilidade nas cidades, a fim de promover uma melhor qualidade de vida da população. Ademais, cabe ao Ministério da Infraestrutura proporcionar melhorias nos transportes alternativos, por intermédio de reformas e novos projetos  de locomobilidade, que promovam a segurança e os preços adequados para tais transportes, com o fito diminuir as consequências ambientais dos automóveis particulares. Dessa maneira, a crise na mobilidade urbana brasileira não será mais um problema.