A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 24/05/2020

No período árcade da literatura brasileira, foi muito difundido o ideal “fugere urbem”: fuga do urbano. De modo contrário a esse pensamento, há nos dias atuais a supervalorização das cidades. Por conta disso, ocorre uma grande concentração do contingente populacional, acompanho de muitos problemas sociais, a exemplo da dificuldade em se locomover. Logo, é fundamental discutir os motivos e efeitos desse problema, além de engendrar soluções.

Juscelino Kubitschek, ex-presidente brasileiro, através de seu projeto desenvolvimentista (plano de metas), promoveu a abertura de indústrias automobilísticas estrangeiras e a criação de rodovias. Nesse contexto, houve um grande incentivo à compra de carros com impactos que se perduram até hoje. Em conformidade, o governo trata com descaso a problemática da mobilidade urbana. Isso pode ser observado devido aos baixos investimentos no transporte público, como também a não projeção de uma infraestrutura adequada que suporte a grande quantidade de automóveis. Destarte, tal panorama se configura de forma caótica.

Por consequência, o excesso de veículos automotores se tornou um grande problema nos centros urbanos brasileiros. É perceptível o estresse rotineiro enfrentado pelos indivíduos no trânsito, gerado pelos congestionamentos. Ademais, os automóveis estão na lista dos maiores causadores de poluição atmosférica e sonora. Dessa maneira, ocorre a intensificação dos problemas ambientais, como o aquecimento global e a chuva ácida. Nos seres humanos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), essa realidade alavanca os casos de doenças cardiorrespiratórias.

Isaac Newton, um dos mais importantes físicos da história, postulou em sua primeira lei que um corpo tende a se manter no estado de inércia até que uma força atue sobre ele. Portanto, devem ocorrer ações para mudar esse contexto no Brasil. É necessário que o Ministério da Infraestrutura promova maiores investimentos no transporte público, com o maior oferecimento de linhas de metrô, de ônibus, para que sejam oferecidas alternativa com qualidade e acessibilidade à toda população. Assim, será possível melhorar a locomoção dos indivíduos e o bem estar social.