A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 10/05/2020
No Brasil, apesar da Lei da Política Nacional de Mobilidade Urbana ter o planejamento das cidades como prioridade para melhorar o fluxo de automóveis, é notório o crescimento adverso no trânsito urbano, o qual afeta diretamente a qualidade de vida da população brasileira. Esse panorama desafiador suscita uma atuação mais comprometida de setores da administração pública e da sociedade.
De fato, o presidente Juscelino Kubitschek estimulou a importação, a expansão da política rodoviária e a valorização substancial dos automóveis no Brasil, o que motivou o ‘’sonho do carro próprio’’, compartilhado por milhares de brasileiros que almejam ter o seu veículo particular a qualquer custo. Isso acarretou o crescimento do número de carros no país, a principal causa dos intensos congestionamentos do tráfico, e também é um empecilho à qualidade de vida do cidadão, porque ocasionou o aumento de doenças respiratórias motivadas pela inalação de gases poluentes emitidos pelos veículos, como o dióxido de carbono, a irritabilidade, o estresse e o cansaço por causa dos atrasos no trânsito. Esse cenário atesta a ineficácia governamental no Brasil se tratando do mal planejamento rodoviário nas cidades.
Ademais, devido à motivação do Governo Kubitschek, é escassa uma mentalidade social de valorização dos meios de transporte e das vias de locomoção alternativas que podem diminuir a crise na locomoção urbana, como ônibus coletivos e uso de ciclovias e ciclofaixas, recursos poucos explorados pela população, visto que o automóvel privado pode oferecer mais vantagens, tal como conforto e segurança, aspectos que poderiam ser mais exigidos pela sociedade para os setores públicos, o que melhoraria a qualidade de vida de muitas pessoas.
Logo, a fim de que a crise da locomoção urbana seja enfrentada, compete aos governos municipais, ampliar as alternativas do modelo rodoviarista, por meio de uma redefinição de prioridades orçamentárias, que viabilize a disponibilidade de mais ciclovias, ciclofaixas e metrôs, por exemplo, pois isso propõe a diminuição de problemas de saúde e mental, por otimizar o tempo de muitos brasileiros, e também tende a melhorar o tráfego nas cidades, deixando-o mais fluido. Além disso, é fundamental que os cidadãos brasileiros prefiram a utilização de meios de locomoção que ofereçam um menor congestionamento urbano, mediante o uso de ônibus coletivos e de bicicletas e das calçadas para caminhada, a fim de fomentar uma mentalidade consciente a toda sociedade acerca dos empecilhos que a crise da mobilidade urbana pode trazer à um estilo de vida mais saudável.