A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 10/05/2020
A música “trem das onze” do cantor e compositor Adoniran Barbosa, escrita em 1964, retrata o dilema de um casal, em que o namorado, por depender do transporte público não pode ficar até mais tarde com sua amada. No entanto, 56 anos depois, a realidade da mobilidade urbana no país ainda condiz com os impasses enfrentados pelo personagem da canção, do que diz respeito as limitações estruturais do transporte público. Sob essa ótica, impactos negativos como excesso de estresse no trânsito, engarrafamentos e poluições ambientais, resultam, sobretudo, da falta de empenho público no setor de mobilidade. Logo, são cabíveis medidas que solucionem a crise de locomobilidade brasileira.
Em primeira análise, o engarrafamento nos grandes centros urbanos do Brasil são parte do cotiado da maior parte da população, as situações de estresse, como atrasos e acidentes, são cada vez mais frequentes, consequências, dentre outros aspectos, da indisponibilidade de acesso à alternativas de mover-se nas avenidas nacionais. Nesse sentido, o despreparo do transporte público em atender a demanda de trabalhadores e estudantes que dependem exclusivamente desse tipo de serviço, fomentam a insegurança e o desconforto, ligados as condições precárias de ônibus, trens e metrôs. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), no ano de 2012, 60% dos usuários do transporte público entrevistados o classificaram como ruim ou péssimo.
Em segunda análise, para o escritor, Caniato do Nascimento, autor da obra “Sociedade contemporânea”, a atual sociedade de consumo, incentivada pelo capitalismo, compra em busca da satisfação do próprio ego, sem preocupar-se com as causas coletivas. Partindo desse pensamento, pode-se inferir que a busca pelo próprio conforto e comodidade, em detrimento a preservação do meio ambiente, são motivos do aumento abrupto no número de automóveis no país. Nesse ínterim, a queima de combustíveis fósseis gerada pelos veículos, ocasiona graves danos ao meio ambiente, como a poluição atmosférica, efeito estufa e problemas relacionados à saúde respiratória, em Fortaleza, por exemplo, de acordo com a Prefeitura, cerca de 62% da poluição da capital advêm dos automóveis.
Portanto, em virtude da necessidade de reverter a crise de mobilidade urbana, que se estende há décadas no Brasil, faz-se preciso que o Ministério das Cidades, consoante ao setor privado que presta serviços de manutenção ao transporte público em cada Unidade Federativa, invista financeiramente, por meio do remanejamento de verbas destinadas a reestruturação de tais meios de locomoção, tornando-os mais seguros e confortáveis, para atenderem melhor a população. Ademais, cabe ao Detran (Departamento de Trânsito) incrementar a administração e fiscalização no trânsito de veículos, a fim de não mais reviver os problemas que outrora separam os casais sambistas da década de 60.