A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 13/05/2020
Conceitua-se como mobilidade urbana a facilidade de locomoção de habitantes nas cidades, objetificando promover relações sociais e econômicas. Esse definição, embora correta, não é efetivada no atual cenário mundial, sobretudo no Brasil, tendo em vista que a imobilidade urbana é uma conjuntura crescente nas metrópoles nacionais. Isso ocorre, ora em função do ineficaz planejamento urbano governamental, ora pela baixa qualidade de transportes públicos. Assim, cabe a análise de tais fatores, a fim de que se possa liquidá-los de maneira eficaz.
A priori, cabe ressaltar o papel do Governo diante dessa problemática sob a perspectiva do filósofo Thomas Hobbes. Segundo o autor, é dever do Estado garantir o bem estar do povo, por intermédio de um contrato social. Entretanto, o que se encontra, no território nacional, é a inexistência de projetos urbanos para população. Um exemplo disso, é a década de 1950, com o governo de Juscelino Kubitschek, o qual implantou a indústria automobilística, incentivando a constante aquisição de veículos pelos brasileiros, contudo, não ocorreu gestão de trânsito, ocasionando o colapso rodoviário. Dessa forma, nota-se a histórica ineficiência do Estado, impasse que precisa ser remediado.
Ademais, é importante também salientar a péssima situação dos transportes públicos como outro desafio a ser enfrentado. Nessa perspectiva, Milton Santos, geógrafo brasileiro, descreve ‘‘Globalização Perversa", no sentido de que o crescimento urbano, ao invés de promover avanços, acaba evidenciando e potencializando as disparidades sociais e infraestruturais. Paralelamente, observa-se no país a falta de estrutura nos serviços públicos de transportes nas cidades, promovendo o desinteresse de cidadãos. O que é comprovado pela pesquisa realizada pelo IBOPE, em São Paulo, a qual revelou que 83% dos entrevistados usariam ônibus, caso esse correspondesse suas expectativas. Dessa maneira, é indispensável a criação de medidas que amenizem esse descaso.
Logo, tornam-se evidentes os impactos causados pela progressiva crise de mobilidade urbana no Brasil, fato que exige providências de combate. Para isso, faz-se fundamental a atuação do Governo Federal, por meio do Poder Legislativo elaborar políticas públicas que garantam um planejamento urbano saudável, o qual englobará desde a saúde da população, até a criação de estacionamentos gratuitos, para que seja possível reduzir a circulação de veículos e proporcionar a segurança de todos. Além disso, é essencial também a participação do Ministério da Cidadania, em parceria com a mídia, na conscientização da população acerca dos benefícios da mobilidade urbana e os motivos que impedem sua efetivação. Desse modo, almeja-se a execução dos entraves que impossibilitam a concretização do bem estar social da nação.