A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 14/05/2020
Ir e vir é um direito básico do cidadão, garantido constitucionalmente. Entretanto, nas cidades brasileiras, a locomoção de pessoas para as suas atividades cotidianas - trabalhar, estudar, fazer compras - tem se mostrado um gargalo histórico e urbanístico. Tal situação decorre, em parte, do fato de o automóvel ser um símbolo de distinção social no imaginário popular, e, em parte, pela injusta distribuição espacial das moradias, derivada da lógica especulativa de apropriação do solo urbano.
Primeiramente, para se compreender a origem do problema, é preciso lembrar que na história do país, a indústria automobilística foi o símbolo da modernização e da expansão da economia, tendo seu auge na década de 1950, no governo de Juscelino Kubitschek. Com isso, a propaganda, o cinema e até a música contribuíram para tornar o carro um objeto de desejo para os brasileiros. Todavia, as cidades naquela época não apresentavam a densidade populacional e a extensão territorial que se tem hoje.
Nesse sentido, a questão da mobilidade urbana revela a desigualdade social do acesso à moradia. De acordo com o Estatuto das Cidades, os governos municipais devem priorizar a ocupação das áreas centrais e os diversos tipos de uso, visando a fixação de residências próximo aos centros de emprego, de consumo e de lazer. No entanto, devido à especulação imobiliária, as cidades tendem a se configurarem de forma segregada, com bairros de função específica, o que enseja deslocamentos maiores, gerando problemas de trânsito.
Em síntese, a superação da crise de mobilidade urbana implica políticas voltadas ao “encurtamento das distâncias”. Para isso, o governo deverá implantar, por meio dos bancos públicos, programas sociais de financiamento habitacional, privilegiando a construção de moradias populares nas áreas centrais, aproximando, assim, trabalho e trabalhadores. Com isso, o carro continuará a ser um bem apreciado pelos brasileiros, porém reservado aos momentos de lazer.