A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 18/05/2020
O direito de ir e vir, com segurança, está assegurado pela Constituição Federal de 1988. No entanto, tal garantia é corrompida, dado que a mobilidade urbana enfrenta problemas como o sucateamento do transporte público e a cultura de valorização do carro particular. Nesse contexto, a crise de locomoção nos grandes centros brasileiros prejudica as relações socioeconômicas e a saúde física e mental dos citadinos. Com efeito, faz-se necessário a análise dessa conjuntura, com o desígnio de eliminar os entraves para a consolidação das prerrogativas constitucionais.
Nesse particular, é significativo elucidar a mobilidade urbana em um viés histórico no qual remete ao Governo de Juscelino Kubitschek, quando o então presidente facilitou a instalação de fábricas automotivas e priorizou o modal rodoviário no transporte de cargas. Por esse viés, acrescenta-se também a propaganda do estilo de vida americano, “American way of life”, como intensificadora desse processo por meio de produções cinematográficas. No que tange a essa problemática, Adorno e Horkheime, sociólogos da Escola de Frankfurt, definiram como Industria Cultural a uniformização e massificação de produtos com fins lucrativos. Logo, mudanças profundas são urgentes para alterar esse panorama.
Outrossim, a ineficácia da estrutura viária nas grandes cidades brasileiras, resultado de um método de urbanização mal planejado, promove uma cultura “carrocêntrica” em que há a supervalorização do transporte automotivo particular. Tal cenário acarreta frequentes episódios de congestionamento em centros urbanos. A exemplo, o documentário “130 km” explana um marco notável: um engarrafamento total de 130 km no município de São Paulo. Consecutivamente, os indivíduos que são expostos a esses problemas de tráfego sofrem com alto estresse e estão sujeitos a desenvolver transtornos psicossociais e apresentam maior irritabilidade. Em síntese, a crise da locomobilidade citadina atrasa a corporificação do bem-estar social.
Portanto, são necessárias ações efetivas dos agentes sociais a fim de mitigar o desequilíbrio das condições de deslocamento no perímetro urbano. Para tanto, o Ministério do Desenvolvimento Regional deve investir na variedade do modal de transportes das cidades brasileiras por meio da expansão de ciclovias e calçadas, revitalização da frota a frota urbana – metrô e ônibus - e ampliação da quantidade de horários de funcionamento. Tais medidas visam a desconstrução da cultura de priorização do uso de automóveis particulares e a valorização do transporte público no Brasil. Dessa forma, os brasileiros poderão usufruir do seu direito de ir e vir, como garante a Carta Magna.