A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 14/05/2020
Promulgada pela ONU em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito ao transporte, a locomoção e ao bem-estar social. No entanto, a intervenção do setor privado, além da falta de investimento em mobilidade urbana e em conscientização impossibilitam o exercício desse direito universal na prática. Nessa perspectiva, esses desafios devem ser imediatamente superados, a fim de alcançar uma sociedade mais livre e integrada.
Primeiramente, uma pesquisa realizada pelo IBOPE revelou que cerca de 83% dos entrevistados passaria a usar o transporte público caso este atingisse as expectativas. Assim sendo, seria de se esperar um maior investimento em transporte público urbano, como ônibus, trens e metrôs. Contudo, o que se observa é a total falta de segurança nesses transportes, que estão constantemente na mira de marginais armados, além do sucateamento dos veículos e da baixa acessibilidade.
Faz-se mister, ainda, salientar a falta de conscientização daqueles que utilizam automóveis de maneira indiscriminada. Congestionamentos causados pelo uso irresponsável impedem a fluidez dos transportes públicos, atingindo principalmente a população de baixa renda. Muito disso é reflexo de medidas de incentivo na aquisição de veículos motorizados familiares. A influencia de montadoras alcançam o poder executivo que, facilitando a concessão de empréstimos e financiamentos, saturam as vias.
Infere-se, portanto, que ainda há entraves na garantia do direito à livre locomoção. Desse modo, urge que o estado atue desencorajando o uso indiscriminado de automóveis, renunciando a concessão de empréstimos ou mesmo adotando sistemas de rodízio nas capitais. É papel das atuais gestões, ainda, incentivar a criação e a manutenção de transportes alternativos, abrindo licitações e formando parcerias com o setor privado. Dessa maneira, democratiza-se o transporte público, diminui-se os congestionamentos e cultiva-se empatia.