A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 14/05/2020
O ser humano é constituído por diferentes partes que, entre si, interagem de modo a realizar um único objetivo: o pleno funcionamento do corpo biológico. Não diferente da estrutura de um ser vivo, o meio social organiza-se de modo em que cada uma das suas instituições atua, em conjunto, com a finalidade de buscar igualdade e coesão. Contudo, no Brasil, ao se tratar de mobilidade urbana, a cultura do automóvel e a precariedade dos transportes públicos tornam-se empecilhos nessa busca. Nesse sentido, deve-se analisar como esses desafios influenciam na integridade de uma sociedade. Constata-se, a princípio, que a plena mobilidade urbana é um direito constitucional. Todavia, nota-se que não há o exercício dessa garantia ao observar o nefasto sistema citadino brasileiro. De certo, esse problema está atrelado a um ideal modernista e que, visto a desigualdade do país, também excludente: a cultura do automóvel. Atualmente, possuir carros se tornou sinônimo de status social, e isso se deve, sobretudo, ao favorecimento do modelo rodoviário de transporte pelos governos estatais, que objetivam, continuamente, o lucro. Esse feito, apesar de benéfico para a economia, colabora com a crise na mobilidade, bem como problemas ambientais, dada a liberação de Co₂ dos automotores.
Outrossim, a precariedade dos transportes públicos também influi no problema. De acordo com o filósofo iluminista Thomas Hobbes, o Estado deve coibir atos que rompam com a harmonia social, a garantir, assim, o bem-estar da população. Entretanto, a ineficiência do aparato político em garantir um transporte público de qualidade demonstra uma falha no cumprimento do seu papel. Em virtude da superlotação e frequentes problemas técnicos nos transportes coletivos, a compra de carros individuais é impulsionada, o que aumenta a quantidade de veículos nas rodovias e dificulta a mobilidade. Esse paradigma conflituoso é refletido no documentário “Perrengue — o desafio da mobilidade em São Paulo”, no qual é exposto, por meio de uma crítica social, o drama enfrentado no transporte coletivo. Destarte, medidas devem ser adotadas a fim de mitigar o empasse. Para tanto, o Ministério da Infraestrutura deve aderir ao plano de mobilidade urbana projetos que descentralizem a cultura do automóvel. Isso se deve por meio do investimento em transportes alternativos e criação de vias acolhedoras para os mesmos, como a construção de ciclovias e “points” para patinetes, por exemplo. Tal decreto visa ao fim dos congestionamentos no trânsito e, consequentemente, à redução de problemas ambientais. Ademais, o Estado, em consonância com a gestão administrativa de transportes públicos, deve estipular acordos dos quais optem pela melhoria dos veículos, a fim de oferecer qualidade de viagem aos passageiros. Dessa forma, a igualdade e coesão do “corpo” social possam ser, de fato, alcançadas.